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Vida do Mestre Irineu Serra será contada em longa-metragem

Diretor de fotografia acreano radicado no Pará conta em documentário a vida do fundador da doutrina do Daime

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A história de vida de Raimundo Irineu Serra, mais conhecido como Mestre Irineu ou Mestre Juramidam, fundador da doutrina do Santo Daime no Acre e que a expandiu para o mundo, será contada em documentário que começou a ser produzido em São Vicente Ferrer, no interior do Maranhão, onde vivem seus parentes. Foi dali que Irineu Serra saiu, no início do século passado, com 19 anos de idade, para fundar no Acre a primeira e única religião genuinamente brasileira.

A produção do documentário, financiada com recursos da Lei Aldir Blanc, está sendo feita pelo repórter e diretor fotográfico Raimundo Paccó, acreano de Rio Branco há mais de quatro décadas radicado em Belém (PA) e que esteve com uma equipe de produção visitando e colhendo depoimentos dos familiares de Irineu, na cidade em que ele nasceu, em 15 de dezembro de 1892. Mestre Irineu morreu em Rio Branco, em 6 de julho de 1971.

O documentário deve mostrar que, no início do século XX Raimundo Irineu Serra foi mais um dos inúmeros migrantes nordestinos a se mudarem para o território amazônico, rumo a um Acre quase ainda desconhecido, em busca de oportunidades com o ciclo da borracha. No entanto, depois da vivência no interior da floresta amazônica, trabalhando como seringueiro e soldado da borracha, conheceu, por meio de povos indígenas que viviam na região, a bebida ayahuasca e depois batizada de Santo Daime.

Os familiares de Irineu Serra entrevistados por Raimundo Paccó, no interior do Maranhão

Seus seguidores contam que, após experimentar a bebida, Irineu desenvolveu um estudo que faz da doutrina espiritual com o sacramento do chá. A bebida foi cristianizada e rebatizada por ele, por meio da orientação da Rainha da Floresta (Virgem Maria) como Daime. Sua doutrina traz na essência cânticos e chamados que guiam e dão força na caminhada espiritual durante a comunhão da bebida sacramental na busca do auto-conhecimento e aperfeiçoamento do caráter individual dentro das escalas social, afetiva e espiritual. O culto é predominantemente Cristão, e traz consigo todas as divindades de cunho característico do batalhão da Rainha da Floresta. As divindades máximas desta linha estão centradas em Deus e representadas por Jesus Cristo, Nossa Senhora da Conceição, o Patriarca São José e São João Batista.

Mestre Irineu, um homem de altura fora dos padrões para os brasileiros, com quase 2 metros e pele muito negra, era filho dos ex-escravos Sancho Martino e Joana Assunção. Consta que chegou ao Acre por volta de 1912, com dezenove anos de idade. Sua saga na Amazônia começa em Manaus, onde reside por dois anos. Ao deixar o Amazonas, vai trabalhar nos seringais da Brasiléia, no Alto Acre, onde permanece por três anos e, em seguida, em Sena Madureira, onde residiu por mais três anos.

O documento ainda não tem data para ser lançado

De volta a Rio Branco, entra para a Guarda Territorial e chega ao posto de Cabo. Também participou da Comissão de Limites, entidade do Governo Federal que delimitava as fronteiras entre Acre, Bolívia e Peru, órgão este, comandado pelo Marechal Rondon. E foi o próprio Rondon que o nomeou como Tesoureiro da Tropa, um cargo de confiança.

A história de Irineu Serra conta que, mesmo trabalhando no princípio do que seria a cidade de Rio Branco, as atenções daquele homem incomum estavam voltadas para a floresta. E foi de volta à floresta que ele conheceu aquele que iria se tornar seu grande amigo, identificado por Antônio Costa, o qual o teria feito revelações divinas, como da Virgem Maria, aparecendo como a Rainha da Floresta. Irineu recebeu a tarefa de fundar uma doutrina espiritual, um sincretismo baseado na consagração da bebida consumida desde milhares anos, no contexto da cultura e simbolismo Cristão, utilizando ao mesmo tempo a sabedoria transcendental indígena, brasileira, africana e oriental.

Em 1930, em Rio Branco, fundou um centro comunitário no qual deu início a criação do culto do Santo Daime. No entanto, Mestre Irineu e sua doutrina passaram a sofrer preconceitos e perseguições devido a predominância de afro-descendentes entre seus seguidores e pelo medo que as elites de então possuíam relacionados à movimentos tradicionais de origem afro-indígena como o Santo Daime.

Em 1945, os companheiros do Mestre Irineu tiveram a oportunidade de dispor de um terreno e assim estabelecer uma comunidade, nomeada “Alto Santo”. Ali, Irineu começou a canalizar mensagens da dimensão espiritual, sob forma de simples hinos, o princípio guiando da doutrina. Ficou conhecido ajudando o seu ambiente que era interessado na sua obra espiritual. Desenvolveu-se igualmente como curador espiritual, especialmente nas situações onde os medicamentos eram ineficazes e o sofrimento não levava à nada.

O culto do Santo Daime desenvolveu-se em redor do Mestre Irineu. Em 1971, quando morreu, já era conhecido sob o nome ‘Mestre Império’, o início de um traçado espiritual para dar o Daime ao mundo inteiro, como os seus hinos o estipulam. Com a morte de mestre Irineu, alguns de seus discípulos resolveram expandir a doutrina. Como não houve consenso, um grupo de daimistas, entre eles Sebastião Mota de Melo e Francisco Fernando Filho, decidiram criar suas próprias igrejas, que se tornaram autônomas em relação ao Alto Santo.

Essas histórias serão contadas por Raimundo Paccó segundo o próprio relatou em suas redes sociais. “Três dias em São Vicente Ferrer na baixada Maranhense, um dos lugares mais esquecidos pelo poder público”, escreveu o jornalista e diretor da produção. “Momentos inesquecíveis com a família Serra. Familiares do mestre Raimundo Irineu Serra. Tivemos a honra de conhecer seu Raimundo Serra primo do mestre, por alguns momentos tive a impressão de estar diante do próprio mestre. Incrível semelhança. Dona Maria Pacheca e Dona Tereza Serra. Histórias nunca antes contadas do grande homem do Daime. Histórias do homem comum, dos tempos de juventude, do homem que se tornou o maior guia espiritual de milhares de pessoas pelo mundo afora”, acrescentou Paccó.

Trata-se de documentário longa-metragem com o argumento escrito por Raimundo Paccó, roteiro de Ismael Machado e produção executiva de Nátia Ney Machado e Wanda Corrêa, com a edição de Arthur Santos, Márcio Cruz e Nátia Ney Machado. A direção de produção é de Michelle Maia e direção geral de Raimundo Paccó e Ismael Machado. O documento ainda não tem data para ser lançado.

Via-Contilnet

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Redação Juruá Online

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