9 de agosto de 2022   |   21:28  |  

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Veja os impactos econômicos com a possível adesão de Finlândia e Suécia à Otan

Gastos militares devem aumentar em toda a Europa, principalmente nos países membros da Otan, segundo especialistas.

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A Suécia e a Finlândia submeteram oficialmente na semana passada os pedidos de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e com isso mostraram o intuito de reforçar o Ocidente, diante de um conflito com a Rússia.

O movimento dos dois países ocorre após a invasão russa à Ucrânia em 24 de fevereiro deste ano, após o governo ucraniano também demonstrar interesse em chegar a um acordo para a entrada no bloco ocidental.

Com mais países tomando partido em favor dos Estados Unidos e da União Europeia, a Rússia alertou para novas retaliações e sanções a depender do andamento do processo de entrada de Finlândia e Suécia na Otan, que requer o cumprimento de algumas regras e a aprovação de todos os membros.

Ao CNN Brasil Business, especialistas disseram que o cenário pode trazer impactos econômicos adicionais à Europa e gerar mais despesas aos países pertencentes à Organização.

“Houve uma reação russa inicial muito cautelosa, o Putin foi cauteloso por saber das dificuldades que existem para entrar na Otan, sendo que a própria Turquia já declarou que não permitirá a adesão dos países do leste europeu”, disse Leonardo Trevisan, professor de Geoeconomia Internacional da ESPM.

A Rússia interrompeu o fornecimento de gás natural à Finlândia no fim de semana passada, depois que o país se recusou a pagar pelo combustível em rublos. “Essas ações são como um alerta de Putin”, disse o professor.

Segundo Trevisan, o intuito de Suécia e Finlândia de aderir à Otan não possui características econômicas, mas populares e protetivas.

“Trata-se de dois países que sempre usaram muito bem a neutralidade a seu favor economicamente, mantendo boa relação e fazendo negócios com o mundo todo”, pontuou o especialista.

“A Suécia é neutra há mais de 200 anos, passou ilesa nas duas guerras mundiais, enquanto a Finlândia passou por duas guerras com a Rússia, mas há 70 anos vive um período de neutralidade, com um dos melhores sistemas educacionais do mundo e desenvolvimento tecnológico avançadíssimo”, acrescentou.

Trevisan destacou que o movimento dos dois países acontece após uma pressão popular muito forte de apoio à Ucrânia e às nações do Ocidente.

O veículo estatal finlandês Yle divulgou uma pesquisa no início de maio que mostra que 76% da população do país apoia a aliança com o Ocidente. Esse número aumentou 14 pontos percentuais ao comparar com os dados de março deste ano. Com o apoio da Suécia, o respaldo à entrada na Otan saltaria para 83%.

A pesquisa revela que antes do ataque russo à Ucrânia, a maioria dos finlandeses se opunha à adesão. No entanto, após a invasão russa em fevereiro, a opinião popular mudou, tornando-se favorável em sua maioria (53%) no mesmo mês e com crescimento expressivo no mês de março (62%).

“O apoio popular e a indignação da população desses países com a invasão ao território ucraniano fez com que os governos abandonassem uma posição histórica de neutralidade e tomassem partido nesse conflito”, disse Trevisan.

“Podemos dizer que os dois esqueceram os ganhos econômicos para ir de acordo com a opinião pública e receber proteção dos EUA e aliados contra uma eventual retaliação russa”, completou.

Gastos militares

A adesão de mais países europeus à Otan também deverá gerar mudanças no orçamento militar da aliança, de acordo com Marcelo Cabral, CEO da Stratton Capital e ex-vice-presidente do Morgan Stanley, do Credit Suisse e do J. P. Morgan.

“Essa expansão da Otan, olhando do ponto de vista macro, reduz o risco geopolítico pois fortalece a União Europeia e reafirma o poderio militar norte-americano. Com isso, a percepção é de que haverá aumento nos gastos militares em toda a Europa”, disse.

Em 2020, os membros da Otan gastaram mais de US$ 1 trilhão em despesas militares, segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford. Deste total, US$ 766 bilhões foram gastos apenas pelos Estados Unidos.

Esse montante gasto pelos EUA, que corresponde a 76% do poderio militar da Organização, já foi motivo de discussão anteriormente, principalmente durante o governo do ex-presidente Donald Trump, que cobrava o aumento de gastos dos outros aliados.

Marcelo Cabral lembrou que todos os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte devem destinar 2% do seu PIB a recursos envolvendo as forças armadas, mas são poucos que cumprem a meta anualmente.

“Com essa tensão instalada, acredito que haverá uma mudança de necessidade para os países da Europa, principalmente em relação à Alemanha. Essa percepção de insegurança, que antes não existia e por isso as despesas com o poderio militar eram negligenciadas, deve contaminar todos”, destacou o especialista.

Segundo Cabral, a tensão na Europa causará um crescimento menor da economia no continente, ainda mais com a UE buscando alternativas de combustíveis para diminuir a dependência russa. No entanto, ele acredita que a ampliação da Otan reafirma o poder econômico e militar do bloco e pode impor um sentimento de solidez.

Fluxo de capitais

Com a guerra na Europa em andamento e novos cenários geopolíticos se desenvolvendo, Marcelo Cabral diz que é bem provável que haja um fluxo de capitais saindo do continente europeu.

“O destino mais provável em tempos de incerteza é aquele em que há mais segurança, então os Estados Unidos costumam aparecer como o porto-seguro de capitais no mundo nestes momentos”, disse.

A estrategista de ações da XP Jennie Li avaliou que uma possível entrada de Finlândia e Suécia na Otan não altera tanto o panorama atual, e apontou para uma aposta de investimento nos países emergentes, como ocorreu quando a Ucrânia foi invadida.

“A entrada de Finlândia e Suécia não muda muito esse cenário, a Europa já era uma região com a economia fragilizada, com uma inflação mais urgente que a dos EUA e um banco central mais paciente que o Federal Reserve”, disse Li.

“Brasil e emergentes latino-americanos já tinham sido os que mais se beneficiaram neste cenário de choque de oferta nas cadeias de suprimento, que temos visto desde o início do ano. Então, apesar de a bolsa brasileira ter passado por um período de volatilidade e de queda, continua como uma das melhores ao comparar com as principais bolsas do mundo, principalmente ao olhar em dólar”, acrescentou.

A economista ressaltou o quadro global de incertezas, com a guerra na Europa, a subida de juros do Fed e os lockdowns na China alarmando o mercado com os riscos de recessão nas principais economias do mundo.

“Ainda que o cenário seja de incerteza, isso não significa falta de oportunidades. Os preços de commodities continuam em patamares bastante altos, e lá fora o mercado americano ainda segue como uma forte aposta, com os valuations voltando nas médias históricas das bolsas, o que pode ser um ponto de entrada interessante para os investidores de longo prazo”, concluiu.

Por CNN

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