22 de maio de 2022   |   11:54  |  

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Um dos criadores da urna eletrônica do TSE conta como ela funciona

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A urna eletrônica faz parte do processo de votação brasileiro desde os anos 2000 e, desde então, passa por vários aprimoramentos de segurança periodicamente. Mas afinal, como a ideia da urna eletrônica surgiu? E qual o caminho que ela segue até chegar às cabines de votação? Em entrevista recente, Giuseppe Janino, consultor independente em eleições digitais, co-autor do projeto brasileiro de urna eletrônica, com uma carreira de 25 anos na Justiça Eleitoral esclarece em alguns pontos as duvidas que norteiam a funcionalidade do aparelho. “A eleição era um processo muito demorado antes da chegada da tecnologia e dificultava esse processo democrático a parcela relevante da população, como pessoas com deficiência visual e analfabetos. Com a urna eletrônica, esse cenário mudou rapidamente, sendo aperfeiçoado a cada ano”, afirma. 

Na entrevista, o especialista aborda pontos que vão desde a implantação da urna eletrônica no Brasil até os detalhes sobre os processos de segurança pelos quais o aparelho passa a cada ciclo eleitoral.

Como você entrou no projeto de urna eletrônica e como essa ideia surgiu?

O grande motivador da introdução do processo automatizado digital no sistema eleitoral brasileiro foi justamente o cenário que nós vivíamos há 30 anos: uma instituição convencional, onde se votava em cédulas de papel. Essas cédulas de papel eram depositadas em urnas de lona, colocadas em cima de mesas – chamadas mesas apuradoras – e a gente fazia a identificação das cédulas, depois a apuração e a divulgação dos resultados. Ou seja, tínhamos muita intervenção humana, que traz muito mais riscos comparada ao processo automatizado. 

Para citar alguns riscos do processo em papel, estão a lentidão e maior probabilidade de erros. Isso sem falar nas fraudes – algumas já eram até bem conhecidas. Um exemplo eram as urnas que já vinham com votos dentro, pessoas que pediam aos eleitores cédulas em branco para serem preenchidas em outro lugar, subtração dos votos, inclusão de outros votos na mesa apuradora e a interpretação subjetiva, de pegar um rabisco numa célula e, dependendo do interesse, contabilizar o voto para um lado ou para o outro. 

Ou seja, era um processo impregnado de erros e demorado, levando até semanas para ter o resultado final. O que trazia uma sensação de que a eleição era totalmente desacreditada. Foi daí que veio a motivação para mitigar a intervenção humana no processo, usando a tecnologia.

A partir de 1986 se fez o cadastramento eletrônico nacional, um cadastro único eletrônico de todos os eleitores, e a partir de 1996, surge a urna eletrônica, por iniciativa do ministro Carlos Velloso, que formou grupos especializados de tecnologia em alto nível até chegar ao grupo que desenvolveu a urna eletrônica. Eu entrei nessa leva, em primeiro lugar no primeiro concurso do Tribunal Superior Eleitoral em 1995 e, quando entrei, fui colocado no grupo que estava desenvolvendo o projeto de engenharia da urna eletrônica e que eu tive a honra de ser um dos autores do projeto.

Nesses 25 anos de evolução do processo, acompanhei tudo. No momento em que se embarcou a tecnologia, o processo começou a evoluir na mesma velocidade que os avanços digitais. Isso resultou em várias facilidades e principalmente credibilidade para o processo eleitoral, à medida que funcionalidades exclusivas do meio digital, como a garantia da integridade, da autoria, a rastreabilidade, proteção, métodos de auditagem, todos eles inerentes ao paradigma digital, foram incluídos ao processo, trazendo celeridade e credibilidade.

Por EXAME

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