25 de maio de 2022   |   04:51  |  

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Servidora pública reaproveita móveis e roupas há 25 anos: ‘80% do que tenho em casa é reciclado’

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“Quase tudo o que tenho em casa foi eu que reformei, é uma economia sustentável”. Essa frase é da servidora pública e jornalista Kátia Oliveira, de 52 anos, que, preocupada com o meio ambiente, diz que há pelo menos 25 anos recicla os próprios móveis, pega alguns na rua ou recebe de amigos e familiares. Já as roupas vêm de doações ou ela compra em brechós.

“Antes mesmo de as preocupações com o meio ambiente virarem pautas fundamentais no mundo eu já fazia a minha parte”, diz.

Kátia fala que pelo menos 80% dos móveis que têm em casa e roupas de seu guarda-roupa são reaproveitadas e que o que tem de novo ganhou dos filhos e amigos em datas comemorativas.

Ela conta que o hábito de reformar móveis começou há muito tempo quando um dos que ela tinha em casa quebrou. Além da parte sustentável, ela confessa que também tem o “jeito pra coisa”.

“Sempre reformei meus móveis, pintei as casas onde morei de aluguel até comprar a minha. Não sei se isso é um dom ou nasceu da necessidade. Afinal, criar cinco filhos sozinha, a gente aprende a se virar”, afirma.

Jardim com pneus velhos que Kátia plantou na escola onde trabalha — Foto: Arquivo pessoal

Jardim com pneus velhos que Kátia plantou na escola onde trabalha — Foto: Arquivo pessoal

Com muita criatividade, a jornalista diz que tudo começou quando ela teve a ideia de reformar um armário que tinha em casa.

“Tenho um armário de madeira que está comigo há mais de 30 anos. Ele já foi branco, azul, vermelho e agora está laranja, com uma cobertura de napa nas gavetas.”

Mas, às vezes, ela diz que está passando na rua e vê uma peça com potencial para ser restaurada e pega para reformar. Kátia diz que nem tudo o que ela reforma fica na casa dela, porque distribui parte dos móveis para os amigos, filhos, conhecidos, e até vende alguns para recuperar apenas o valor que gastou para restaurá-los.

“Quando vejo que é possível reaproveitar, coloco no carro e levo. Primeiro porque acho que precisamos cuidar melhor do nosso planeta. Os nossos rios e oceanos estão sendo destruídos por nós, então, temos que preservar.”

Geladeira venha virou o guarda-roupas da netinha de Kátia — Foto: Arquivo pessoal

Geladeira venha virou o guarda-roupas da netinha de Kátia — Foto: Arquivo pessoal

Consumo indiscriminado

A jornalista fala que o consumismo das pessoas está fazendo com que o meio ambiente seja degradado e que os adultos precisam dar exemplo e passar noções de sustentabilidade desde cedo para as crianças.https://c1e2f2aae0c8912f262fe57ffe137ad8.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“Consumimos demais, não temos uma política de reciclagem e a natureza não é algo inesgotável. Já estamos sofrendo com as secas, alagamentos e outros desastres naturais que poderiam ser evitados se utilizássemos tudo de forma sustentável ou até se preservássemos mais o que temos, principalmente aqui no Acre, que fica no meio da Amazônia”, acrescenta.

Sobre a possibilidade de transformar o hobby que tem em negócio, ela é enfática em dizer que por enquanto não pensa nisso mas, futuramente, quem sabe.

“Tenho duas amigas que vivem me dizendo isso, para abrir um negócio de reforma. Mas, acho que não tenho jeito para tornar isso um negócio, é mais um hobby mesmo.”

Netinha de Kátia com o casaco e o poncho que ela fez para aquecer a pequena nos dias frios — Foto: Arquivo pessoal

Netinha de Kátia com o casaco e o poncho que ela fez para aquecer a pequena nos dias frios — Foto: Arquivo pessoal

Kátia cria a netinha, a pequena Giovanna Akemi, de 4 anos. Ela conta que ensina desde cedo que tudo pode ser reaproveitado e que o consumo precisa ser feito de forma consciente. Ela fala que o guarda-roupas da pequena é uma geladeira que ela pegou de um entulho.

“Ela me ajudou a pintar o guarda-roupas dela. No ano passado o frio chegou e as duas blusas de frio que ela [neta] tinha estavam pequenas. Pequei um roupão quentinho que tinha em casa e fiz um casaco. E de um cobertor de quando ela era bebê eu fiz um ponche. Ela adora, eu faço fantasias e roupinhas com bastante criatividade.”

Cabeceiras de cama viraram um lindo sofá — Foto: Arquivo pessoal

Cabeceiras de cama viraram um lindo sofá — Foto: Arquivo pessoal

‘Pobre com estilo’

A servidora pública fala que muitas vezes as pessoas a procuram quando vão jogar um móvel fora e perguntam se ela quer para reformar. Com bom humor, Kátia conta que criou uma conta no instagram com um nome pra lá de engraçado para mostrar suas criações e inspirar as pessoas a tentarem fazer a sua parte.

“Foi o caso de uma mesa que foi feita com as duas cabeceiras de um berço que ganhei de uma amiga. Quando postei, uma outra colega gostou tanto que me deu um armário de madeira que iria jogar fora, então, é assim. Reformo, às vezes dou, vendo ou fico. Na casa das minhas filhas, mãe e amigas têm muitas coisas que reformei”, complementa.

Ela fala que acha importante mostrar o que consegue fazer para que as pessoas saibam que não é preciso ter muito e gastar muito para se vestir bem e ter coisas boas e de qualidade em casa.

“Ensino muito a Giovanna e digo que precisamos cuidar do planeta, que a felicidade não está no preço das coisas, nem na quantidade. Que a felicidade está nas coisas simples, em ter gratidão pela vida, que quanto mais simples, melhor é fluidez da energia. Que precisamos conhecer outras culturas e promover o amor e a paz.”

Na primeira foto Kátia está com uma blusa de seda que comprou por R$ 2, na segunda com uma blusa e um cachecol que comprou por R$ 5 os dois e na terceira as duas peças saíram por R$ 10 — Foto: Arquivo pessoal

Na primeira foto Kátia está com uma blusa de seda que comprou por R$ 2, na segunda com uma blusa e um cachecol que comprou por R$ 5 os dois e na terceira as duas peças saíram por R$ 10 — Foto: Arquivo pessoal

‘Prefiro viajar’

Kátia fala que o dinheiro que economiza reaproveitando móveis e comprando roupas em brechó ela gasta com viagens.

“Tenho roupas lindíssimas que comprei em brechó que já foram comigo para Londres, Espanha, Bélgica, Argentina e Peru. Prefiro gastar dinheiro com uma viagem, um jantar em família, ajudando outras pessoas, do que gastar em roupas ou móveis novos”, finaliza.

Com informações G1

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