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Pandemia provoca insônia em 78% dos professores no País

A professora Nádia Calaça dos Santos, 43 anos, mora e trabalha em Mauá. Como todos os professores do País, teve que se adaptar à nova realidade que a pandemia de Covid-19 impôs. A falta de sono passou a ser sua companheira e ela chegou a ficar dois dias inteiros sem dormir. Nas noites insones, aproveitava o silêncio para gravar o áudio das aulas, e a cada notícia de que algum conhecido perdeu a batalha para a doença, a falta de sono era maior. E então passou novo período de três dias acordada.
Um docente da rede estadual e da rede municipal de São Paulo, 41, que mora em São Bernardo e prefere não se identificar, começou a ter insônia em junho e chegou a ficar duas semanas sem dormir, até que teve uma crise durante atendimento com psicólogo e foi encaminhado ao psiquiatra, onde foi diagnosticado com ansiedade e passou a ser medicado.

Os professores fazem parte de um grande grupo de profissionais que passaram a ter problemas como insônia e ansiedade em decorrência da pandemia e da nova realidade de trabalho remoto. Segundo pesquisa promovida pelo Instituto TIM, por meio do projeto ‘O Círculo da Matemática no Brasil’, que buscou identificar como anda a saúde mental dos docentes e quais foram os impactos da Covid-19 no bem-estar desses profissionais, 78% apresentaram insônia ou excesso de sono.

A pesquisa ouviu professores do ensino fundamental em diferentes Estados, das redes pública e privada, entre janeiro e novembro de 2020. A amostra foi calculada com um nível de confiança de 95%. Quase 80% trabalham em bairros economicamente mais vulneráveis, dando uma média de 30 horas de aulas por semana, para cerca de 28 alunos por turma. Um quarto dos entrevistados trabalha em duas ou mais escolas e 24% exercem outra atividade para complementar a renda.

Com a pandemia, além da insônia, o medo também passou a ser constante. O professor que precisou de atendimento psiquiátrico relatou que os temores eram, em alguns momentos, até irracionais, como medo de perder o emprego sendo funcionário concursado. “É muito curioso, porque na minha cabeça percebia que era incoerente, mas não conseguia evitar o sentimento. É como temer o lobisomem, mesmo sabendo que ele não existe”, comentou. “Também tinha medo do julgamento da sociedade, porque sei que estou trabalhando muito, mas parece que as pessoas não vêem isso”, completou.

Para Nádia, o medo era de contaminar a mãe. Este ano, ela precisou ir à escola onde atua por dez dias, no período de planejamento escolar. Estava aguardando um atestado médico, porque seu sobrepeso a coloca no grupo de risco. Mas até que o documento estivesse disponível, decidiu que iria “viver na garagem”, para não colocar em risco a mãe, que tem enfisema pulmonar. Dormir na rede e fazer as refeições em uma mesa dobrável foi sua rotina por cerca de duas semanas.

“Minha filha de 12 anos tem auxiliado, dado os remédios para a avó, com a minha supervisão pela janela”, explicou a docente. “E foi uma decisão acertada, porque mesmo trabalhando apenas dez dias, tive contato com uma professora que foi diagnosticada com Covid-19. Fiz o teste e não fui contaminada, mas a gente não sabe quando essas coisas podem acontecer”, concluiu.


Profissão é das mais estressantes do mundo

Responsável pela pesquisa e um dos idealizadores do projeto ‘O Círculo da Matemática no Brasil’, professor da IQS School of Management (Barcelona) e da Universidade de Cambridge, Flavio Comim afirma que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), ser professor é uma das profissões mais estressantes do mundo. “No Brasil, é ainda mais que a média mundial.”

Comim destacou que a pesquisa do Instituto TIM mostrou que os professores brasileiros do ensino fundamental estão sujeitos a condições muito estressantes de trabalho, sendo que 77% atuam em bairros economicamente mais vulneráveis, 33% com falta de material didático básico, 65% levam sempre ou quase sempre trabalho para casa, 25% atuam em duas ou mais escolas, 24% exercem outra atividade para suplementar a renda e 40% sofreram com atrasos ou parcelamento de salários nos últimos dois anos.

“Isso para não falar das estatísticas de violência em sala de aula, que tornam o trabalho do professor um com os maiores níveis da síndrome de Burnout (esgotamento profissional) e depressão de todos”, explicou. O pesquisador avaliou que a pandemia também adicionou um elemento de estresse: os professores tiveram que dar aulas on-line sem estarem preparados e sem condições em casa para tal. “O fato é que a pandemia não afetou de modo igual todas as áreas de atuação e os resultados da pesquisa mostraram isso. Não é normal haver uma taxa de depressão de quase 17%. Por isso, é importante que reconheçamos que os professores vivem condições mais estressantes do que a média dos trabalhadores”, concluiu.

VIA- DGABC

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Redação Juruá Online

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