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Pai relata luta de bebê prematuro que nasceu com 776 gramas e está internado há 262 dias no AC: ‘só o amor salva’

Em oito meses de vida, o bebê Benjamin Onety Guimarães passou a maior parte do tempo em uma UTI. Atualmente, ele está na enfermaria e faz tratamento com fonoaudiólogo para se alimentar só.

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“O útero quentinho, escuro e molhado da mãe deu lugar a uma incubadora repleta de fios, aparelhos e luzes.” Este é o relato do servidor público, Ulisses Lima, pai do pequeno Benjamin Onety Guimarães, de oito meses, que está internado desde o nascimento, no Hospital Santa Juliana, em Rio Branco por complicações da prematuridade extrema.

Em um texto intitulado “Prematuridade: só o amor salva”, o pai relatou como tem sido os dias nos hospital ao lado do primeiro filho que trava uma batalha para viver.

Benjamin nasceu no dia 2 de março deste ano, com apenas 25 semanas de gestação, ou seja cinco meses e meio, pesando 776 gramas e medindo 33 centímetros, o que corresponde a pouco mais que uma folha de A4. Internado desde então, o pequeno guerreiro já encarou 262 dias de internação, deste total, 213 foram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Ele é o primeiro filho do casal.

“A experiência da prematuridade é algo incomparável e difícil de descrever. Posso dizer que é uma montanha russa de emoções, visto que são muitos procedimentos pelo qual o bebê passa que nos deixam ora muito felizes, outras vezes muito tristes. Vamos vivendo dia a dia fazendo o nosso melhor”, conta Guimarães ao descrever o que tem sido esses últimos meses.

Para lembrar a importância do debate sobre o nascimento de bebês prematuros e os cuidados que as mães devem ter desde o pré-natal, nasceu o Novembro Roxo. O mês foi escolhido porque nessa quarta-feira (17) foi celebrado o Dia Mundial da Prematuridade.

No Acre, a Secretaria de Saúde (Sesacre) está fazendo a campanha com o tema “Separação Zero, mantendo pais e bebês prematuros juntos” traz o alerta sobre a prematuridade, formas de prevenção, cuidados, doação de leite materno e ainda sobre a importância de se manter pais e mães juntos durante um período tão delicado e fez atividades na Maternidade Barbara Heliodora nessa quinta-feira (18), com palestras e oficinas.

Benjamin Onety Guimarães faz fisioterapia três vezes ao dia — Foto: Arquivo pessoal

Benjamin Onety Guimarães faz fisioterapia três vezes ao dia — Foto: Arquivo pessoal

‘Um bebê prematuro’

O parto prematuro de Benjamim ocorreu devido a um problema chamado incompetência do colo uterino. Algo difícil de identificar no pré-natal, segundo informou o pai. Além disso, ele tem uma condição chamada displasia bronco pulmonar. É bem comum em bebês que ficam muito tempo intubados. Guimarães explica que a displasia aumenta a demanda dele por calorias.

“Hoje ele consegue se alimentar, mas a quantidade ainda não é suficiente para o gasto calórico que ele precisa. É um processo para tirar a sonda gástrica, sempre respeitando o tempo de desenvolvimento dele. Daí a importância do conhecimento da neonatologista que cuida dele nesse tempo. Ela respeita esse tempo”, pontua.

Apesar dessa adversidade que surgiu no meio da trajetória da família, o pai conta que os planos para o filho são os mesmos de antes do nascimento, que eles já tinham mesmo antes que soubessem da luta que teriam travar por sua sobrevivência.

“O que sonhamos pra ele não mudou pela prematuridade, mas os nossos esforços aumentam significativamente devido à ela. Desejamos desde sempre que ele se desenvolva bem, no melhor ambiente familiar possível, e que seja um ser humano do bem”, acrescenta.

Já são 260 dias de internação — Foto: Arquivo pessoal

Já são 260 dias de internação — Foto: Arquivo pessoal

Drama

Guimarães relata que o drama da prematuridade não é novo e a geração passada, que tinha mais filhos que a de hoje, distingue bem o “tive 6 filhos” do “criei 4”. Só que ele pontua novas possibilidades de suporte à vida através de aparelhos respiratórios, antibióticos e os surfactantes, fundamentais para prevenção e tratamento de problemas respiratórios.

“Um bebê prematuro de extremo baixo peso. Quando isso acontece, o parto não acaba ali, ele continua por um longo período. No caso dele, já são 260 dias de internação hospitalar”, conta.

Ele ainda enaltece que estes recursos para fazer o tratamento é fruto de muita pesquisa científica e médica seria suficiente para garantir que bebês como o Benjamin e muitos outros possam vencer esta batalha.

Porém, o pai resume que para o bebê dele vencer todo esse processo ele contaram também que eles contaram com outra receita: “o amor dos cuidadores. Neonatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem, roupeiros e serviços gerais. Todos, sem exceção, precisam fazer muito bem seu trabalho, para que a vida ganhe o jogo contra a morte.”

Atualmente, o Benjamin pesa 7,5 quilos e saiu da dependência de oxigênio suplementar, e aguarda retirar a sonda de alimentação para ir pra casa. E faz fisioterapia três vezes ao dia.

‘Vivendo na caixinha’

Para a mãe Paula Onety, a jornada tem sido um desafio diário, principalmente devido as possibilidades de ele sobreviver. Ela compara a vida de uma mãe de UTI, e do próprio bebê, como uma roda gigante, que às vezes está evoluindo, mas depois acaba caindo.

“É uma trajetória longa, jornada difícil, mas cheia de recompensas diárias porque quando nasce qualquer bebê, qualquer respirada que ele dá, é uma coisa normal. Mas, o Benjamin nasceu com 25 semanas e não estava pronto pra respirar porque o pulmão dele não estava nem de longe pronto para respirar. Então, cada respirada que ele conseguia dar, era motivo de comemoração”, relata.

O pequeno só foi tocado pelos pais 19 dias depois do nascimento e, por isso, a trajetória é de comemoração a cada evolução e tudo significa muito mais. Ela ainda relata que não apenas ele é prematuro extremo, mas também teve a experiência de ser mãe ao extremo, emoções ao extremo e viver cada minuto de maneira intensa.

“A gente não sabia quantos minutos mais ele ia viver. O prognóstico de um bebê de 25 semanas sobreviver é muito difícil, as possibilidades de sequelas são enormes, então de onde ele veio para onde está agora, cada dia é motivo de agradecimento. Ele não está mais dentro de mim, está fora, e ficou muito tempo dentro de uma caixinha para poder sobreviver, e a separação precisou acontecer apara ele sobreviver”, relembra.

Pediatra Socorro Avelino em passeio no hospital com Benjamin — Foto: Arquivo pessoal

Pediatra Socorro Avelino em passeio no hospital com Benjamin — Foto: Arquivo pessoal

Pré- natal

A médica pediátrica neonatologista Socorro Avelino, que atua nesta área há 13 anos e também acompanha o pequeno Benjamin, afirma que o caso dele é especial porque apresentou muita gravidade, mas conseguiu superar.

“O Benjamin nasceu com 776 gramas e hoje ele pesa 7,5 quilos, após 8 meses e 16 dias internado por complicações e permanece ainda internado, agora ele saiu do oxigênio e agora está respirando em ar ambiente e só estamos aguardando ele melhorar a ingestão de alimentos e líquidos para poder receber alta hospitalar, o que creio que vai ocorrer breve”, explica.

A pediatra afirma que a prematuridade é um problema de saúde pública e a principal causa de morte entre crianças com menos de cinco anos de idade. Devido a isso foi criado o mês da prematuridade, representado pela cor roxa, que denota sensibilidade, a individualidade e a particularidade dos bebês prematuros porque o roxo também significa transmutação.

No caso de Benjamin, ele nasceu com prematuridade extrema. A médica explica que a organização mundial da saúde define prematuridade como o nascimento que ocorre antes de 37 semanas de idade gestacional.

“Ele apresentou complicações bem perigosas inerentes a prematuridade, como a displasia broncopulmonar grave e a hipertensão pulmonar. Foram dias cruéis, de muita angústia, mas nunca perdemos a fé. Nossa equipe se dedicou diuturnamente oferecendo o melhor da ciência, que está ao nosso alcance com muita humanização e deu certo”, acrescenta.

Socorro acrescenta que entre os problemas que podem levar a prematuridade estão alguns fatores de risco como a idade materna, no caso das menores de 20 anos e maiores de 40; tabagismo, uso de álcool e outras drogas ilícitas; infecções uterina e malformação uterina, gemelaridade; infecções maternas que entre outras alterações podem ser detectadas e tratadas quando um pré-natal correto é realizado.

“Se a gente for observar, a maioria delas pode ser revertida simplesmente com o pré-natal. Se a gestante fizer um pré-natal certinho um acompanhamento certinho, a maioria dos fatores de pode desencadear prematuridade, são identificados e podem ser evitados”, conclui.

Prematuridade

Bebês prematuros, ao nascerem não podem ser conduzidos para o alojamento com a mãe, eles vão para a UTI neonatal, ficam em incubadoras aquecidas e umidificadas, não conseguem mamar no peito o suficiente para sobreviver, alimentam-se através da sonda orogástrica e a quantidade também não é suficiente para se desenvolver, pois começa com pouco volume e vai aumentando gradativamente conforme a tolerância e geralmente precisam de nutrição parenteral, conforme explica.

“Geralmente apresentam problemas respiratórios com necessidade de ventilação pulmonar mecânica para manter uma boa oxigenação. Podem evoluir, na sua grande maioria com quadros infecciosos, distúrbios metabólicos como a hipoglicemia, hipocalcemia; evoluem com icterícia e necessidade de fototerapia”, explica.

Por G1

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Redação Juruá Online

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