Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on telegram

O que o bife do almoço tem a ver com a mudança climática? Entenda

_________________Publicidade_________________

A produção de apenas um quilo de carne bovina libera na atmosfera 2 toneladas de metano (CH4) e cerca de 50 kg de dióxido de carbono (CO2), segundo dados de 2020 do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, publicado em outubro.

A atualização do relatório que contabiliza as emissões brasileiras de gases do efeito estufa mostra que a conta do bife está ainda maior, uma vez que as emissões da agropecuária aumentaram 2,5% em 2020 em relação ao ano anterior: passou de 562,9 milhões de toneladas de CO2 equivalente para 577 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Já uma conta do Greenpeace Brasil com dados do SEEG de 2019 mostra que, em níveis comparativos, consumir 1 kg de bife equivale a dirigir um carro médio por 1.6 mil km, a distância entre Curitiba e Goiânia.

A relação entre aquecimento da Terra e agropecuária não é recente, contudo. Desde pelo menos 1990 (ano em que o SEEG começou a calcular as emissões por setor) a agropecuária é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa no Brasil, respondendo por 27% do total das emissões brutas atuais.

Além disso, o maior emissor no Brasil é uma atividade diretamente ligada ao agronegócio: o desmatamento, responsável por 46% das emissões brutas atualmente.

“Quando somamos as emissões do desmatamento e do agronegócio, temos 73% das nossas emissões brutas totais”, explica Rômulo Batista, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace.

Por isso, para fazer o cálculo de quanto uma porção de bife emite em CO2 na atmosfera, os especialistas consideram:

  • O desmatamento associado ao pasto onde o gado foi criado;
  • A queima do capim, prática utilizada para limpar de maneira rudimentar o pasto;
  • A queima dos resíduos agrícolas na criação do gado (a soja, por exemplo);
  • O manejo dos dejetos animais, ricos em bactérias que emitem mais gases à atmosfera;
  • A distância entre o consumidor e o centro produtor da carne e o meio de transporte utilizado.

Apesar disso, o agronegócio e o consumo de carne bovina podem ser menos agressivos ao meio ambiente. O primeiro passo é eliminar o desmatamento da cadeia de produção da carne bovina.

“O agronegócio hoje é uma economia baseada na destruição da floresta. Não precisamos de mais desmatamento para produzir carne. E não é apenas desmatamento ilegal, é qualquer tipo de desmatamento. O agro não pode continuar desmatando”, diz Batista.

Outro passo é mudar a relação de expansão da economia nacional por meio da carne bovina.

“Não precisamos manter o nível de produção que temos hoje no agronegócio, nem seguir essa ideia de desenvolvimento por meio do agronegócio. A carne se tornou uma commodity de exportação no Brasil”, afirma o porta-voz do Greenpeace.

O metano e o boi

Além do CO2, a agropecuária também é grande emissora de metano, outro vilão do efeito estufa, emitido na fermentação entérica do gado – o processo digestivo do boi.

“Apesar do CO2 ser considerado o grande vilão do aquecimento global, o metano aquece 20% a 28% mais”, compara Batista.

Por isso, quando se questiona se o bife poderia fazer parte de uma dieta sustentável ao clima se conseguíssemos eliminar o desmatamento da conta do agronegócio, o porta-voz do Greenpeace explica que ainda não conseguiríamos eliminar as emissões provenientes do processo digestivo do boi.

“61% das emissões de gases do agronegócio vem da fermentação entérica do gado. Diferente do desmatamento e do manejo dos dejetos animais, não tem como mudarmos as emissões do pum e do arroto do boi”, diz Batista.

Segundo a Embrapa, as atividades pecuaristas podem buscar maior sustentabilidade nos sistemas de produção com tecnologia e adoção de medidas relativamente simples, como o controle da altura das pastagens e a recuperação dos solos degradados pelo gado.

“Pastagens bem manejadas podem ser um grande sumidouro de carbono”, afirmou a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Cristina Genro, em um evento realizado em outubro sobre o tema.

Outra técnica estimulada pela Embrapa é a chamada Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), um sistema que proporciona maior sustentabilidade utilizando em um mesmo espaço culturas agrícolas, animais e componentes arbóreos.

O cofundador do projeto Pecuária Neutra e Regenerativa, Leonardo Resende, afirmou no podcast O Assunto em outubro que pastagens degradadas ainda são realidade em 70% das fazendas do país, mas que é possível reverter o problema. “A pastagem é um ser vivo. Precisa ser bem manuseada para produzir bem”, disse o pecuarista no episódio. 

Via-G1

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on telegram
Redação Juruá Online

Redação Juruá Online

Notícias Relacionadas