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No AC, quatro médicos e quatro enfermeiros são indiciados após mulher perder bebê durante parto

Profissionais foram indiciados pelo crime de abordo provocado por terceiro, segundo delegado. Parto ocorreu em dezembro do ano passado no Hospital Santa Juliana, em Rio Branco, e mãe denunciou negligência médica após perder o bebê.

Após cerca de quatro meses de investigação, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de um bebê durante o parto e indiciou oito profissionais de saúde pelo crime de abordo de terceiro. Em dezembro do ano passado, a jovem Sayonara de Souza, de 29 anos, denunciou que foi vitima de negligência médica no momento do parto do quarto filho, no Hospital Santa Juliana, em Rio Branco.

Entre os indiciados estão quatro médicos e quatro enfermeiros que prestaram atendimento para a grávida no dia do parto. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Judson Barros, foram ouvidas 21 pessoas durante o inquérito, sendo cinco médicos, 13 enfermeiros, duas pessoas indicadas pela vítima e a própria Sayonara.

O delegado informou ainda que a vítima chegou a fazer a denúncia também no Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC), mas que a autarquia arquivou a sindicância.

“Foram muitas oitivas para a gente chegar agora à elaboração do relatório final. O CRM resolveu pelo arquivamento da sindicância entendendo que não há nenhuma infração ao código de ética médica. Isso é uma questão administrativa do próprio conselho e não interfere na minha análise criminal. Nosso entendimento é de que houve crime de abordo provocado por terceiro por parte de todos os profissionais que, de alguma forma, prestaram atendimento à paciente”, disse o delegado.

O CRM-AC informou que os processos tramitam em sigilo e, por conta disso, a autarquia não se manifesta com mais detalhes. Mas, sobre esse caso, o conselho confirmou que abriu uma sindicância após receber a denúncia e que entendeu pelo arquivamento.

“O CRM instaurou a sindicância de forma célere, recebeu o delegado de polícia por diversas vezes, buscou ouvir todos os envolvidos, sobretudo, os médicos citados e, através de uma câmara de sindicância, com mais de cinco médicos experientes em cirurgia, entendeu pelo arquivamento, por não encontrar elementos que evidenciem indícios de infração ética médica. Mas, como todo processo, existe possibilidade de recurso junto ao Conselho Federal de Medicina, que poderá reavaliar o caso”, afirmou o assessor jurídico do CRM, Mário Rosas.

Barros explicou que houve um “lapso temporal muito grande” durante o atendimento à paciente, após receber a medicação para indução do parto. Ele contou que à 16h Sayonara recebeu a medicação e só voltou a ser atendida às 20h40.

“Nesse lapso temporal não houve nenhum atendimento da paciente, momento em que o feto foi a óbito. Então, nós produzimos o relatório, tivemos a decisão no sentido de indiciamento, e agora encaminharemos ao judiciário e ao MP para que, na sua condição de detentor do poder para fazer a denúncia, analise o caso. Entendendo que há elemento suficiente, o MP fará a denúncia e daí iniciará uma ação penal pública incondicionada”, concluiu.

Relato da mãe

Ainda abalada com a perda filho, Sayonara conversou com uma equipe da Rede Amazônica uma semana depois do parto. A mãe contou que pediu ao médico para que realizasse uma cesariana e o profissional teria resistido, e o bebê acabou morrendo. Ela disse também que passou aproximadamente 11 horas na espera pelo parto e insistiu para que fosse cesariana.

“O neném se mexendo super bem. O coração batendo, porque eu estava olhando para a máquina. Então, super bem e eu tranquila porque não estava sentindo nenhuma dor e quando terminaram os exames, eles me mandaram para a sala de novo. Pedi para ele [médico] fazer a cesariana e ele disse que não podia, porque meu parto ia ser normal. Ele perguntou quantos filhos eu tinha e falei que três. Ele disse: ‘você tem três e quer um parto cesariana?’, respondi que sim, porque estava sentindo que esse tinha que ser”, contou.

Salomão seria o quarto filho de Sayonara. Em casa, já estava tudo preparado para recebê-lo, mas, esse dia nunca chegou.

A mãe disse que fez os exames de pré-natal durante toda a gestação e que todos mostraram que o bebê estava bem e que os exames feitos após a entrada no hospital mostraram a mesma coisa. Ela contou na época que o médico questionou o fato de ela ter tido os outros três filhos em partos normais e querer que esse fosse diferente.

Via-G1

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Redação Juruá Online

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