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Luto: Mâncio Lima perde uma de suas maiores lideranças indígenas

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A Prefeitura de Mâncio Lima vem de público externar o seu mais profundo voto de pesar e solidariedade pelo falecimento do líder indígena, senhor Humberto Jorge de Souza, ocorrido na tarde do último domingo (26), aos 75 anos de idade, em sua residência, por decorrência de Alzheimer, deixando com saudades 06 filhos, 14 netos, 06 bisnetos e sua esposa, a professora Maria Celuta.

Humberto Jorge de Souza, ou simplesmente Humberto Nukini, nascido e criado na Aldeia República, às margens do Rio Moa. Em 1982, por aclamação de seu povo, o Senhor Humberto recebia a missão de liderar um povo originários daquele lugar e que, em função da ocupação dos senhores de seringais, precisavam de um líder para iniciar, a partir dali, a luta pela demarcação de suas terras, missão esta que exerceu até 1998.

Mas, o legado, o trabalho junto aos seus parentes datam bem antes de 82. Com a chegada dos seringalistas, os donos dos seringais, no apogeu da borracha, Humberto se tornou seringueiro e agricultor. Foi no seringal República que trabalhou duramente na extração da seiva leitosa (chamado de látex). Ali, como forma de garantir o sustento de sua família, recebeu das mãos do saudoso “Bolota”, à época patrão e dono de seringal República, a missão de chefiar os trabalhadores no canavial.

Foi por suas mãos, e com a visão de futuro, que estabeleceu uma relação comercial com o país vizinho, o Peru. Usando como base o estilo de moeda de troca de produtos, típico da cultura indígena, senhor Humberto levava pele de animais e em troca trazia máquinas de costuras e motores da cidade vizinha. O caminho era feito por dentro da Serra do Divisor, percorrendo dias por pequenos piques e rios sinuosos até a cidade mais próxima da então Vila Japiim.

Ao assumir o cargo de líder indígena, travou diversas lutas em favor de seu povo, nunca se curvou frente as dificuldades e, com muita garra e determinação conseguiu a demarcação da, hoje, Terra Indígena Nukini, homologada pelo Decreto nº 400, de 24/12/1991, com uma superfície de 27.263,5212 hectares, denominada de acordo com os clãs a que pertencem: Inubakëvu (“gente da onça pintada”), Panabakëvu (“gente do Açaí”), Itsãbakëvu (“gente do Patoá”) ou Shãnumbakëvu (“gente da cobra”), ganhando respeito e admiração em todo o Brasil.

Foi o pioneiro no processo de demarcação das terras, enfrentou com muita garra os antigos patrões e donos de seringal. Como legado de sua gestão, conseguiu levar para os aldeados políticas públicas de educação, saúde e de assistência social. Em suas participações nos congressos estaduais e nacionais sempre defendeu a autonomia dos povos indígenas, conseguiu levar importantes investimentos para aldeia.

O seu respeito e reconhecimento possibilitou a visita do então Governador do Acre, o saudoso Edmundo Pinto, que à época, inaugurou um engenho de cana de açúcar e anunciou investimentos e apoio para o fortalecimento da aldeia.

Uma de suas marcas era o apoio na diversificação agrícola e segurança alimentar, plantando e incentivando aos parentes da aldeia cultivarem frutas, hortaliças e a criação de pequenos animais para a subsistência e melhorias na qualidade de vida do povo.

Um exemplo de pai, líder, homem digno e de reputação ilibada, um sábio que com a faculdade da vida resolvia conflitos internos e familiares. Com seu jeito humilde, voz mansa e sereno, impunha respeito e confiança e liderança, características típicas de quem nasceu para liderar. para mediar os conflitos com a habilidade de um líder nato, Humberto nasceu pra liderar. Era na sala de sua casa que recebia líderes políticos, religiosos, representante de instruções estaduais e nacionais.

Em 2010 foi diagnosticado com Alzheimer, uma doença neurodegenerativa progressiva que se manifesta apresentando deterioração cognitiva e da memória de curto prazo e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos, que, ao longo do tempo, foi se agravando fazendo com que deixasse sua aldeia e se instalasse no centro da cidade, lutando bravamente contra a doença agressiva que o levou a morte.

Humberto Nukini cumpriu sua caminhada com muita dignidade e honradez, deixa um enorme legado para seu povo e toda Mâncio Lima. Agora, sem qualquer perturbação, descansa em paz, olhando e orando, de onde está, para o seu povo, seus filhos, netos, bisnetos e para aqueles que deixa aqui com saudades.

Pode ir em paz grande chefe, forte e poderoso.

O Prefeito Isaac Lima, a vice-prefeita Ângela Valente e toda gestão junto você externam à família e à aldeia Nukini os mais profundos votos de pesar. Fica decretado luto oficial de três dias a começar de domingo (26).

Mâncio Lima – Acre, 27 de setembro de 2021

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Redação Juruá Online

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