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Jovem com ‘um celular e muita coragem’ levou à condenação de Derek Chauvin

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Darnella Frazier gravou o mais longo e claro vídeo dos momentos finais de George Floyd.

Se não fosse pelo raciocínio rápido de Darnella Frazier, Derek Chauvin talvez seguisse sendo um policial em Minneapolis, nos Estados Unidos.

Em vez disso, Chauvin está atrás das grades, condenado por duas acusações de homicídio e uma de homicídio culposo, depois de matar George Floyd, ao se ajoelhar no seu pescoço por mais de nove minutos.

A adolescente, que se manteve firme e gravou o mais longo e claro vídeo dos momentos finais de George Floyd, recebeu uma avalanche de emoções e elogios depois das condenações de Chauvin, desta terça-feira.

“Eu simplesmente chorei tanto”, Frazier postou no Facebook.

“Eu estava tão ansiosa… Mas saber que ele foi considerado CULPADO EM TODAS AS TRÊS ACUSAÇÕES!!! OBRIGADA, DEUS, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA. George Floyd, nós conseguimos!! justiça foi feita.”

Frazier continuou filmando, apesar da agonia por assistir a vida de Floyd se esvaindo.

“Eu ouvi George Floyd dizendo, ‘Eu não consigo respirar, por favor, saia de cima de mim’… e chorei por sua mãe”, Frazier disse, em depoimento na corte. “Ele estava sofrendo. Parecia que ele sabia que estava partindo.”

A tia de Floyd, Angela Harrellson, elogiou Frazier, que era uma estudante de Ensino Médio de 17 anos quando fez a filmagem que provou o crime, no julgamento de Chauvin.

“O triste é que se não fosse por essa menina de 17 anos, Darnella, haveria mais um homem assassinado pela polícia… e eles teriam dito ‘Oh, foram as drogas, oh, foi isso”, disse Harrellson.

“E nós jamais saberíamos da história verdadeira. E não estaríamos aqui hoje, conversando.”

O governador de Minnesota, Tim Walz, agradeceu publicamente a Frazier.

“Fazer aquele vídeo, acho que muitos sabem, talvez seja a única razão para que Derek Chauvin vá para a prisão”, disse Walz.

O impacto do vídeo de Frazier se estendeu para muito além do caso de Chauvin. A gravação levou à demissão de outros três policiais que estavam no local, à proibição de estrangulamentos por policiais e a uma investigação em nível federal. A filmagem também desencadeou um movimento global por justiça racial.

“Com nada mais do que um telefone celular e muita coragem, Darnella mudou o curso da história neste país, desencadeando um forte movimento que reivindica o fim do racismo sistêmico antinegros e a violência pelas mãos da polícia”, escreveu Suzanne Nossel, CEO da PEN America, uma organização sem fins lucrativos que trabalha na defesa e no avanço da liberdade de expressão.

“Sem a presença de espírito e a prontidão de Darnella para arriscar sua própria segurança e bem-estar, talvez nós nunca soubéssemos a verdade sobre o assassinato de George Floyd.”

O vídeo registrado pela estudante de Ensino Médio “entrará para a história”, escreveu a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) na Carolina do Norte, estado onde Floyd nasceu.

“Assim como na filmagem de Abraham Zapruder do assassinato do presidente John Kennedy, o encobrimento usual da polícia se tornou impossível com este vídeo”, disse a entidade, em comunicado. “Ninguém, nem mesmo muitos dos policiais que eram colegas de Chauvin, conseguiram argumentar, diante da gravação da senhorita Frazier.”

Oprah Winfrey se juntou aos inúmeros norte-americanos que agradeceram a Frazier e ao júri.

“Eu chorei lágrimas de alegria quando o veredito foi lido”, tuitou Winfrey.

“Eu sou grata às testemunhas e seus depoimentos. Grata a Darnella Frazier. Grata a cara jurado, por ver e reconhecer o que o mundo viu naquela gravação. Obrigada, Deus, de verdade!”

Frazier, que hoje tem 18 anos, respondeu às milhares de pessoas que a agradeceram no Facebook.

“Eu não consigo responder a todos os seus lindos comentários como eu gostaria, mas OBRIGADA a todos vocês”, ela escreveu. “O apoio que eu tive desde o primeiro dia me levaram longe, então obrigada, novamente.”

Adrienne Broaddus, Harmeet Kaur, Eric Levenson and Jamiel Lynch, da CNN, contribuíram com esta reportagem.

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Redação Juruá Online

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