12 de agosto de 2022   |   00:56  |  

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Jornada de trabalho de 4 dias pode estar longe para empresas brasileiras

Advogada trabalhista chama atenção para baixo investimento na educação e perda da produtividade.

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Trabalhar excessivamente não é sinônimo de sucesso e, além de gerar um desgaste na profissão, pode prejudicar a saúde mental e resultar em problemas psicológicos, como ansiedade e síndrome de burnout. Pensando nisso, muitas empresas começaram a testar um novo modelo de atuação, composto por quatro dias de trabalho e três dias de folga na semana — conhecido como 4×3. Tal cenário, no entanto, ainda pode estar longe de ser realidade na maioria das empresas brasileiras.

“Hoje, a consequência de uma imposição de redução de jornada criaria prejuízo às empresas, e aumento de custos aos consumidores finais, pois esse custo maior seria repassado. Infelizmente, o Brasil precisaria investir mais em educação de qualidade no nível básico e técnico, e não focar só em financiar cursos em universidades de baixa qualidade. Os sindicatos precisam investir nesse item também”, diz a advogada trabalhista e especialista em direito sindical, Maria Lucia Benhame.

Ela explica que o novo modelo de jornada só é possível caso os funcionários continuem com a mesma produtividade da atuação anterior, o que não causaria mais custos para as empresas e, consequentemente, não resultaria em novas demissões. A afirmação é sustentada por países como Japão, Reino Unido, Portugal e Estados Unidos, que adotaram a jornada de 32 horas e, de acordo com pesquisas do International Workplace Group (IWG), perceberam um melhor desempenho em cerca 80% dos empregados.

Caso implementado no Brasil, o modelo poderia englobar a redução de carga horária ou ter a compensação dos dias de folga, mantendo 40 horas trabalhadas por semana, com jornada de 10 horas por dia. Já em relação às folgas, seria feito uma escala para revezar os dias de descanso, uma vez que o modelo não concede um “fim de semana estendido”. No caso das empresas com autorização para atuar aos domingos, os empregados teriam que ter uma folga no dia em questão a cada quatro semanas. O salário permaneceria o mesmo.

“O ideal é que esse sistema seja implantado pelas empresas por acordos coletivos, nem mesmo por convenções coletivas, porque elas abrangem empresas com um empregado a empresas com mais de 10 mil empregados num mesmo acordo, portanto, realidades muito diversas”, diz Maria Lucia. Ela recomenda ainda que o modelo seja testado antes de ser adotado pela companhia, mas também por meio de acordo sindical. 

Isso porque há uma grande diversidade de realidade e tamanho das empresas nacionais, o que poderia resultar em consequências discrepantes para muitas, caso a falta de produtividade gerasse novos prejuízos. “Além disso, em alguns casos, um benefício de um dia a mais de folga poderia gerar desemprego se as empresas perdessem rentabilidade, porque estamos falando de uma redução de mais 10% ou até mesmo de 27% da jornada de trabalho. Para que haja benefícios para ambas as partes, o assunto deve ser pensado com muito cuidado e analisado a cada caso”, pontua a advogada.

Apesar das dificuldades, algumas empresas no Brasil já adotaram a redução de jornada. A agência de marketing Shoot, por exemplo, implementou, em janeiro, a semana de quatro dias de trabalho, com seis horas diárias de atividade. Ao mesmo tempo, a companhia de tecnologia Nova Haus conta com um projeto piloto, que classifica a 4ª feira como “dia livre”. No último caso, o teste terá duração de oito meses, terminando em novembro.

Via SBT News

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