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Intolerante à lactose, economista cria site para ajudar pessoas com restrições alimentares no Acre

Site reúne blog e também empório com venda de produtos voltados para diversos tipos de intolerância. Ideia é facilitar e ajudar as pessoas que precisam desse serviço no estado.

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Há alguns meses, a economista Lidiane Magalhães teve que se readaptar ao ser demitida do local onde trabalhava em Rio Branco e teve a ideia de transformar a inclusão alimentar em negócio. Há cerca de nove anos ela descobriu ser intolerante à lactose, soja e ainda a sensibilidade ao glúten não-celíaca.

Diante da demissão, ela conta que ficou sem saber que caminho seguir até ter a ideia de criar o site “Coisas de Lid” – um espaço onde ela lista e vende produtos para pessoas com restrições alimentares, principalmente a leite animal e ao glúten, seja por uma questão de saúde ou por escolha. No site, também há lista de e-books voltados para o tema.

O espaço virtual foca em dois eixos; receitas testadas e que dão certo e o empório de produtos que facilitam o dia a dia – a lista vai desde laticínios veganos a produtos sem glúten e lácteos.

Lidiane conta que a ideia é facilitar a busca por esses tipos de produtos, que ela avalia ser um grande desafio desde que descobriu a intolerância alimentar.

“Eu descobri a minha intolerância alimentar há cerca de nove anos e naquela época não tinha produtos nos supermercados daqui, na verdade, tinha pouquíssimos, então nas minhas viagens eu ia nos empórios e comprava muitos produtos, minha mala voltava com mais produtos do que roupa”, relembra.

Assim que descobriu ser intolerante a alguns alimentos, a economista começou a pesquisar e se inteirar sobre muitas possibilidades de substituição e receitas. Começava aí também a luta por uma inclusão.

Blog reúne receitas e também lista produtos específicos  — Foto: Reprodução

Blog reúne receitas e também lista produtos específicos — Foto: Reprodução

União do blog e empório

Logo depois, ela descobriu que o filho de 12 anos também tinha algumas restrições, então essa busca ficou ainda mais recorrente.

“Meu filho também apresentou intolerância à lactose, então eu tinha que comprar muitos produtos, fazia pesquisas em sites, porque em Rio Branco era muito difícil encontrar esses produtos. Então, realmente comecei a pesquisar qual o frete era mais vantajoso, o que eu podia comprar e fui conhecendo os produtos e muitas marcas”, conta.

O estalo após a demissão fez Lidiane pensar que sua experiência na compra dessas marcas poderia ajudar outras pessoas. Antes de criar o site de vendas, ela tinha um blog – mesmo meio que usou para tentar entender melhor a condição alimentar que vive.

“Não sei outras pessoas, mas eu, quando fico sabendo que tenho algo, procuro me informar sobre isso e o que me ajudou muito na época que descobri a intolerância foram os blogs de pessoas que tinham intolerância também e passavam conhecimento, compartilhava informações e tiravam dúvidas. Então comecei a ir para cozinhar e testar receitas”, relembra.

Ao criar o site, que vai além das compras, ela decidiu compartilhar receitas e, mais do que isso; se aprofundar e ensinar como se utiliza vários produtos.

“Juntei o blog e o empório para fazer uma coisa só. As pessoas, muitas vezes, não sabem como manipular os alimentos, como usar algumas farinhas, por exemplo, então o fato de eu ensinar receitas acaba sendo um serviço a mais”, pontua.

Tantos anos comprando itens de uma dieta restrita deram muita experiência para a economista que decidiu tornar isso um serviço para que outras pessoas pudessem ter acesso. Além disso, ela trabalha também com linhas orgânicas e destaca que faz um atendimento personalizado ajudando as pessoas a conhecerem melhor cada produto.

Inclusão alimentar

Mais do que uma questão comercial, Lidiane conta que o mais importante é levantar o debate sobre a inclusão alimentar. Mesmo que o tema já tenha avançado em muitos aspectos, ela diz que ainda existe exclusão desse público e também faltam opções.

“Nós precisamos levantar nossa voz sobre isso. É muito ruim você ir em uma festa , ver pessoas dividindo uma refeição, comemorando e confraternizando e você não conseguir passar da água, porque não pode comer nada. Hoje em Rio Branco, se você é alérgico, qual o restaurante que você pode ir e comer sem medo? Não tem. Mais do que comércio, a gente precisa pedir que sejamos incluídos em vários ambientes: na escola, no trabalho e nas reuniões de família”, destaca.

Lidiane ensina a usar produtos voltados para intolerância alimentar  — Foto: Arquivo pessoal

Lidiane ensina a usar produtos voltados para intolerância alimentar — Foto: Arquivo pessoal

Intolerância e alergia alimentar

G1 conversou com o nutricionista Inauã Rodrigues, que explicou a diferença entre intolerância e alergia alimentar. Segundo ele, alguns fatores podem dificultar o diagnóstico.

“A intolerância alimentar pode ser considerada como a hipersensibilidade do organismo a determinados alimentos inclusos com regularidade na dieta de uma pessoa e esses alimentos podem desencadear um conjunto de reações indesejáveis que caracterizam tanto a intolerância como a alergia alimentar. Diferente da alergia alimentar, a intolerância possui reações em que não se implica um mecanismo imunológico, por este motivo chama-se de dose dependente e torna difícil identificar a causa”, explica.

Os sintomas, segundo ele, tendem a ocorrer após horas ou dias e podem durar por dias, geralmente de maneira intermitente, o que dificulta a identificação do alimento que o corpo não tolera. Os sintomas podem incluir fadiga, síndrome do intestino irritável, inchaço, enxaqueca, alterações do comportamento e até asma.

O diagnóstico é feito por exames de sangue com a complementação do histórico clínico e alimentar que, segundo Rodrigues, são imprescindíveis para fechar o diagnóstico.

O nutricionista também dá dicas para quem suspeita estar com a intolerância e também como tratá-la.

“Boa alimentação e saúde andam juntas. Se alguns alimentos eventualmente demonstrarem ter efeitos indesejáveis no seu corpo, evite-os e concentre-se em todas as outras opções boas que podem ser comidas. É preciso reconhecer os produtos alimentícios que você tem intolerância, muitas refeições prontas e molhos contém uma variedade de ingredientes que pode não ser associado ao produto, portanto é importante sempre ler os rótulos”, orienta.

Ele diz ainda que é importante diversificar e deixar a alimentação mais flexível.

“Opte por frutas e vegetais com cores variadas diariamente, inclua fontes de proteína diferentes, como ovos no café da manhã, saladas no almoço e no jantar, frango e atum nos lanches. Com essa variedade de minerais e vitaminas você diminui o risco de intolerância a um único alimento.”

E, o mais importante, é que um profissional deve acompanhar cada caso para que uma dieta equilibrada seja montada ao paciente.

“A exclusão de certos tipos de alimento na dieta, como por exemplo na intolerância à lactose, onde as fontes deste nutriente não devem ser retiradas por completo, precisa ser mediada cuidadosamente por profissionais da saúde para garantir a ingestão correta de nutrientes para uma boa saúde”, finaliza.

Após demissão, Lidiane decidiu abrir o próprio negócio em Rio Branco  — Foto: Arquivo pessoal

Após demissão, Lidiane decidiu abrir o próprio negócio em Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal

Por G1

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Redação Juruá Online

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