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    Cotidiano

    Superação: Após ser eletrocutado e perder pernas, homem faz adaptação em moto para se locomover

    Uma história de fé e superação. Assim vem sendo escrita a trajetória de Jaime de Andrade Rodrigues, desde 2016, quando foi vítima de um trágico acidente elétrico, que o fez perder as duas pernas. Na comunidade rural Mariana, localizada na Vila Santa Rosa, em Cruzeiro do Sul, local onde Jaime reside com a esposa e os cinco filhos, todos conhecem a luta e garra deste homem, que vivenciou um verdadeiro milagre de vida, ao sobreviver a uma forte descarga elétrica de alta tensão. Aos poucos ele foi voltando a rotina, e para se locomover com maior facilidade adaptou uma motocicleta, conseguindo se deslocar para qualquer lugar.

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    Jaime lembra que no início não foi fácil. Servidor de uma empresa que prestava manutenção elétrica, ele realizava um trabalho no Ramal das Bananeiras, quando um dos fios atingiu a rede de alta tensão. A fiação tocou na sua cabeça. Hoje, as marcas de queimadura estão por todo o corpo e retratam a gravidade do acidente. Jaime foi levado para o Hospital do Juruá, onde teve uma perna amputada, e em seguida encaminhado para Rio Branco, onde passou por nova cirurgia para amputar a segunda perna. Ao todo foram quatro meses e 16 dias internado.

    “Fui trabalhar, mas já estava com uma sensação muito ruim, e quando cheguei lá aconteceu esse acidente, mas graças a Deus me recuperei. Não tenho inveja de uma pessoa inteira, apesar da situação não ser fácil. Tive um período um pouco depressivo, me deparar em uma situação dessa, com cinco filhos para sustentar. Quando tinha pernas ia para todo lugar, então tive que me adaptar mesmo. Hoje não reclamo mais da vida como antes. Sou uma pessoa feliz, tenho minha família, minha esposa, filhos e amigos, e onde chego é só alegria”, contou Jaime.

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    O apoio da esposa Ivanilde Nascimento foi fundamental. Antes do acidente ela já cuidava de uma filha de Jaime, de outro casamento, que também é cadeirante. Hoje ela trabalha na área de educação especial, e é cuidadora de um aluno na escola da comunidade.

    “No início ele ficou muito depressivo, e a barra foi muito pesada. As vezes eu também chorava sozinha sem saber o que fazer, mas juntos fomos imaginando os meios de se adaptar, presenciávamos pessoas em situações piores que a dele que conseguiam fazer muitas coisas, e assim fomos vencendo. Eu sempre mostrava para ele que mesmo a filha dele sendo deficiente era muito feliz, e ele também poderia viver dessa forma. Quando comecei a trabalhar na área de educação especial também melhorou muito os cuidados com eles e entender sobre acessibilidade. Só fico aflita quando ele sai na moto, porque ele corre bastante, e é teimoso, mas está dando certo”, relatou a esposa.

    Jaime foi aprendendo novamente a fazer as mesmas coisas de antes, se adaptando, e mesmo com as limitações, não se deixa vencer em nenhum momento. Na escola dos filhos, ele participa de todas as reuniões e visita constantemente o local . O diretor da escola, Evilásio Silva, contou que ele é um exemplo e inspiração.

    “O Jaime é um exemplo de superação para toda comunidade, e não é de hoje, mesmo antes do acidente. A história de vida dele é um desafio. Quando aconteceu esse acidente ficamos pensando como ele ia reagir, e foi surpreendente. Ele sai lá do Ramal da Mariana, é bem participativo na escola, vem para todas as reuniões escolares”, enfatizou o diretor.

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    Além de eletricista, Jaime também tinha aptidão com mecânica, e usando a criatividade e as chaves, colocou em prática essa adaptação. Após dois meses planejando, ele utilizou um eixo e rolamentos, com a roda de uma moto modelo bis para fazer a adaptação. Para passar as marchas, ele usa um pedaço de ferro, para poder dessa forma utilizar as mãos.

     “Eu tinha uma cadeira elétrica, e quando queimou a cabeça de manobrar o preço era mais de R$3 mil, como eu não tinha condições e nem mesmo ninguém para me ajudar, tive a ideia de fazer essa moto. Um amigo meu me vendeu por mil reais, eu tentei fazer a adaptação, na primeira vez não deu certo, mas na segunda já consegui e uso até hoje. Ela tem mais estabilidade que outras motos, vou para todo lugar com ela, para os ramais, para o centro da cidade, e para onde for preciso”, finalizou Jaime.

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