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Fóssil de dinossauro gigante e ainda desconhecido é achado em obra de ferrovia no Maranhão

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Ana Bottallo
São Paulo, SP

A escavação para a construção de uma ferrovia no município de Davinópolis (região metropolitana de Imperatriz), no Maranhão, revelou um fóssil de dinossauro gigante ainda desconhecido para a comunidade científica.


Entre os materiais encontrados estão um fêmur de mais de 1,5 metro de comprimento, demais ossos longos, como uma possível tíbia, pés e mãos, diversas costelas e vértebras.

O fóssil é o primeiro dinossauro conhecido para a região e, possivelmente, um importante registro para a história evolutiva do grupo dos saurópodes, que viveram onde hoje é o Brasil há cerca de 130 milhões de anos, no período conhecido como Cretáceo Inferior.


Apesar de ainda não ser possível saber qual é a espécie do novo dino, pelo tamanho dos ossos e o tipo deles, é provável que sejam de um titanossauro, grupo de dinossauros pescoçudos que surgiu no final do Jurássico, há cerca de 163 milhões de anos. Eles viveram até o final do Cretáceo, quando foram extintos com os demais dinossauros não-avianos (há 66 milhões de anos).


“Já se sabia pela literatura de alguns registros mais ao norte do estado, mas esse é o primeiro fóssil de vertebrado de grande porte para a localidade, que possui em geral achados de peixes e plantas fósseis”, explica Elver Luiz Mayer, paleontólogo e professor da Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará), responsável pela preparação e estudo do dino.


O tamanho estimado do dinossauro é de até 18 metros de comprimento, cerca de o dobro de outro pescoçudo também encontrado no estado do Maranhão, o Amazonsaurus maranhensis, um dos menores titanossauros descritos até hoje.

Mas, diferente do Amazonsaurus, o novo espécime está próximo à região conhecida como Tocantins da Formação Itapecuru, enquanto o primeiro foi encontrado mais ao norte no estado.


Os registros de titanossauros brasileiros foram descritos principalmente para as regiões onde estão as bacias Sanfranciscana, Paraná e Bauru, nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Um dos exemplares encontrados com melhor estado de preservação, incluindo um crânio com mandíbulas completo, é o Tapuiasaurus macedoi, achado em rochas próximas ao município de Coração de Jesus, no norte de MG. Foi o primeiro dinossauro saurópode brasileiro a ter uma cabeça também preservada.


O fóssil de Davinópolis não possui nenhum material de crânio ou dentes isolados, pelo menos que tenha sido localizado até agora. “Embora o trabalho de coleta tenha sido exaustivo, há indícios de que há mais material fóssil na área porque o talude é bem extenso, e tem um estrato rochoso de cerca de dez metros para cima”, explica Mayer.


Inicialmente, os funcionários da empresa Brado, responsável pela obra de terraplanagem na região e que encontraram o fóssil, acreditavam se tratar de ossos de preguiças gigantes, animais que viveram há cerca de 11 mil anos e se extinguiram no último período glacial.

Via-Jornal de Brasilia

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Redação Juruá Online

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