Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on telegram

Filho de analfabeta é aprovado em 1ª fase da OAB antes de concluir curso de direito no AC: ‘oportunidade de mudar’

Tassio Ferreira, de 31 anos, está vivendo um dos momentos mais esperados porque conclui o curso junto com a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

_________________Publicidade_________________

Ainda cursando o 9º período da faculdade de direito, o estudante Tassio Ferreira, de 31 anos, está vivendo um dos momentos mais esperados da vida de um pós formado, mesmo antes de concluir o curso, que é a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para poder exercer a profissão de advogado.

Natural de Sena Madureira, no interior do Acre, filho de mãe analfabeta, ele conta que precisou trabalhar desde muito cedo, quando ainda tinha 9 anos, para ajudar com as despesas de casa. Mas, apesar das dificuldades, sempre gostou de estudar e via ali a possibilidade de mudar de vida.

“Minha mãe é analfabeta, meus avós moravam na zona rural, e ela veio para a cidade para trabalhar, conheceu meu genitor que nunca reconheceu paternidade e me criou sozinha. Tive que começar a trabalhar muito cedo para ajudar minha mãe dentro de casa. Ela fazia charutos e salgadinhos e eu ia vender na rua”, conta.

Além de vender charutos, Ferreira também vendeu pamonha e trabalhou como servente de pedreiro e outros trabalhos de carteira assinada. Atualmente ele se sustenta com o que ganha em um estágio.

‘Mudar minha história’

“Gostava de estudar e via no estudo uma oportunidade de mudar um pouco a minha história de vida porque não tinha outra alternativa. Era estudar ou aceitar aquela situação e ficar naquilo. Então, resolvi estudar e conciliava sempre estudo e trabalho”, relembra.

Após encerrar o ensino médio, o estudante ficou seis anos parado porque em Sena Madureira não tinha faculdade e não tinha condições de ir para a capital e se manter fora de casa para estudar. Só que em 2014, essa história começaria a mudar, depois de conseguir um emprego em uma faculdade particular. Foi quando o sonho despertou novamente.

“Apareceu a oportunidade de trabalhar e me mudei, e era aquele clima acadêmico dos alunos, e reascendeu aquela paixão que eu tinha, mas ficou adormecido. Foi quando prestei o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] no intuito de conseguir uma bolsa. Passei, consegui para administração e cursei dois anos, mas vi que não era o que eu queria, não me sentiria realizado profissionalmente”, explica.

Foi quando trancou o curso e tentou o Enem novamente. Ferreira conseguiu então, uma bolsa de 50% e financiou os outros 50%. Agora, perto de se formar, ele afirma que os sonhos estão apenas começando a se realizar.

Criado pela mãe, ele e os outros dois irmãos, o estudante conta que já passou fome, e fala que é o primeiro filho a se formar e sempre contou com o apoio da mãe, que mesmo sem ter tido a oportunidade de estudar, incentivava ele.

“Ela incentivava e sempre dizia: ‘você tem a oportunidade de chegar, onde nunca cheguei’”, relembra.

Estudante foi aprovado na primeira etapa de prova da OAB — Foto: Arquivo pessoal

Estudante foi aprovado na primeira etapa de prova da OAB — Foto: Arquivo pessoal

Aprovação

Sem modéstia e muito feliz com a primeira etapa, o estudante sorri e afirma que esperava pela aprovação já mesmo antes de concluir o curso porque tinha se preparado.

“Confesso que sim [esperava a aprovação]. Muitas pessoas da minha cidade perguntavam como eu conseguia fazer o curso na Uninorte e respondia que nem eu sei. Foram momentos difíceis, cheguei a achar que não seria para mim, que talvez tivesse querendo dar um passo maior que as pernas. Mesmo assim segui em frente, e agora, apesar de um esforço colossal, está dando certo e já me considero vitorioso”, comemora.

Para o futuro, ele sonha com a advocacia durante um período e depois vai focar para passar em concurso público.

“E lá na frente, uma vontade que tenho é de me envolver com projetos sociais, porque quero de alguma forma retribuir para o mundo o que recebi e mostrar às pessoas que não têm condições que é possível”, conclui.

Por G1

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on telegram
Redação Juruá Online

Redação Juruá Online

Notícias Relacionadas