7 de agosto de 2022   |   14:24  |  

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EUA matam líder da al-Qaeda Ayman al-Zawahiri em ataque de drone

Morte de al-Zawahiri, 'cérebro pensante' do 11 de Setembro, não foi confirmada, mas Casa Branca anunciou que Biden fará pronunciamento à nação em algumas horas.

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Os Estados Unidos mataram Ayman al-Zawahiri, líder da al-Qaeda, em um ataque no sábado em uma área residencial de Cabul, disseram fontes do governo americano a diversos veículos de imprensa. O médico egípcio, por décadas um dos terroristas mais procurados do planeta, é acusado de ser um dos cérebros dos ataques de 11 de Setembro de 2001, ao lado de Osama bin Laden.

A morte de al-Zawahiri, que assumiu o comando do grupo após a morte de Bin Laden há 11 anos, foi confirmada pelo presidente Joe Biden em um pronunciamento à nação. Segundo o presidente, o líder terrorista era “um dos maiores responsáveis pelos ataques que mataram 2.977 pessoas em solo americano” e o “cérebro” por trás de uma série de outras operações:

— A justiça foi feita e este líder terrorista não é mais — disse Biden, que falou de uma das varandas da Casa Branca, a céu aberto, após ser diagnosticado com Covid-19. — Não importa quanto tempo leve, não importa onde você está, se você é uma ameaça para o nosso povo, os Estados Unidos vão te encontrar e te derrubar.

De acordo com Biden, o aval para a operação foi dado há uma semana, após uma série de reuniões com representantes da Segurança Nacional. Ela foi realizada quando havia o menor risco a civis, afirmou o presidente, incluindo a família de al-Zawahiri, que não se feriu.

O ataque de sábado foi o primeiro em solo afegão desde a caótica saída dos militares americanos do país da Ásia Central, que completará um ano neste mês. A retirada pôs fim às duas décadas da guerra mais longa da História americana, que começou em outubro de 2001, nas semanas seguintes ao pior ataque terrorista em solo americano.

O governo do então presidente George W. Bush (2001-2009) acusava o Talibã, à época no comando do Afeganistão, de abrigar Bin Laden, que só seria morto em 2011 no Paquistão.

As duas décadas de uma guerra trilionária, contudo, terminaram com o retorno do mesmo Talibã ao poder, em agosto do ano passado, após uma ofensiva relâmpago. A situação gerou críticas maciças para Biden, na época com seis meses de mandato — danos que a bem-sucedida operação do último fim de semana tenta ao menos mitigar.

No ano passado, fontes da Casa Branca afirmaram que os EUA manteriam a capacidade para ataques “além de horizonte” — ou seja, de fora do território afegão — contra forças terroristas no país. A viabilidade disso era questionada por céticos, mas Biden afirmou que o sucesso da operação de sábado provou que estava correto:

— Quando terminei nossa missão militar no Afeganistão há quase um ano, tomei a decisão de que, após 20 anos de guerra, os Estados Unidos não precisavam mais de botas no solo no Afeganistão para proteger os EUA de terroristas que nos desejam fazer mal — disse o democrata. — Prometi para o povo americano que continuaríamos a fazer operações antiterrorismo no Afeganistão e além. E fizemos justamente isso.

Fontes do governo dizem que o ataque não foi conduzido pelas Forças Armadas, mas sim pela Agência Central de Inteligência (CIA). Os dois mísseis foram disparados contra o líder terrorista enquanto ele estava na varanda de uma casa em Sherpur, uma zona residencial nobre em Cabul, e os americanos afirmam que o Talibã tinha conhecimento de sua localização e agia para protegê-lo — algo que violaria o acordo firmado entre os EUA e o grupo fundamentalista em 2020, que pavimentou caminho para a retirada das tropas americanas.

Uma declaração do Talibã condenou a operação, afirmando que sua própria investigação concluiu se tratar de um ataque de drones americanos. O regime disse “condenar veementemente” a operação dos EUA, afirmando se tratar de uma “violação clara dos princípios internacionais” e do acordo firmado em 2020.

“Tais ações são uma repetição das experiências fracassadas dos últimos 20 anos e vão na contramão dos interesses dos Estados Unidos, do Afeganistão e da região”, disse em nota Zabihullah Mujahid, porta-voz dos talibãs.

Al-Zawahiri foi médico pessoal, braço direito de Bin Laden e era um rosto proeminente nos vídeos da al-Qaeda que profetizavam contra o Ocidente e cuja intensidade aumentou desde o retorno talibã ao poder. Segundo analistas, ele teve um papel-chave para que o grupo terrorista se tornasse uma organização poderosa e letal nos anos 2000, tanto por suas habilidades intelectuais, mas também por sua organização.

Antes do 11 de Setembro, ele já havia sido indiciado pelos ataques às embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998, que foram alguns dos indícios de que o grupo terrorista ganhava força. Também é acusado de ser uma figura central no ataque de 7 de julho de 2003, que matou 56 pessoas em Londres.

— Al-Zawahiri era o líder ideológico da jihad global moderna. Matá-lo é um grande sucesso para a CIA — disse ao New York Times Bruce Rieden, ex-funcionário da Inteligência que coordenou a primeira revisão da política para o Afeganistão do governo de Barack Obama (2013-2017).

O paradeiro de al-Zawahiri era há anos uma incógnita, mas os indícios era de que ele morava no Paquistão e já estava há algumas semanas em Cabul. O fato de ele conseguir transitar entre os dois países e pelo território americano, por si só, é um sinal do quanto as duas décadas de guerra não conseguiram causar mudanças profundas nas instituições afegãs.

Segundo a Inteligência americana, ele evitava o Afeganistão há anos, e seu retorno a Cabul levanta dúvidas sobre a penetração da al-Qaeda no país da Ásia Central após a saída das forças ocidentais. O fato de ter sido morto em uma área residencial, em particular, indica que os terroristas conseguem circular com alguma facilidade pelo território afegão.

Espera-se, contudo, que sua morte não tenha grande impacto prático nas operações do grupo jihadista:

— Al-Zawahiri era muito mais importante estratégica que taticamente para a al-Qaeda — disse ao New York Times Colin Clarke, analista de contraterrorismo do Grupo Soufan, uma firma de consultoria em Nova York. — Ele liderou o grupo por épocas turbulentas, incluindo a Primavera Árabe e a ascensão do Estado Islâmico. Ele manteve a organização viva e suas afiliadas ainda recebiam diretrizes estratégicas, mesmo que ao longo do tempo tenham se tornado mais autônomas e respondessem a eventos locais e regionais, ao invés de globais.

Ainda assim, a morte de um dos últimos fundadores vivos do grupo terrorista deve gerar uma disputa interna pelo trono, especialmente diante da fragmentação vista na última década. Para Clarke, o herdeiro “enfrentará o desafio de atrair novos recrutas e crescer a organização” — tarefas que, se malsucedidas, ameaçam fragmentar a al-Qaeda.

Com informações O Globo

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