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‘Eu continuo fugido, não vou me entregar’, diz Zé Trovão em vídeo divulgado pelo Telegram

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O caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, afirmou na tarde desta quinta-feira por meio de sua lista no Telegram que não se entregará à Polícia Federal. Ele está foragido há quase duas semanas, quando teve a prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Como adiantou O GLOBO,  a PF localizou o caminhoneiro em um hotel na cidade do México e se preparava para prendê-lo. 

Depois de uma sequência de vídeos comunicando sua prisão iminente – Zé Trovão teria sido informado pelo hotel onde estava escondido que a Embaixada do Brasil no México entrara em contato -, o caminhoneiro voltou atrás e afirmou que não se entregaria e exortou o povo a “trancar as rodovias”. “Estou mais uma vez fugido. Não vou me entregar. Estou lutando com vocês, vamos para cima, vamos entupir Brasília. Cadê o povo de Brasília?”, diz um exasperado Zé Trovão.

No vídeo, o caminhoneiro parece estar no centro financeiro da capital mexicana. 

“Estou aqui de novo tendo que fugir. Eu queria me entregar, mas ninguém (bolsonarista) quer deixar”, justificou .  

As declarações de Zé Trovão, contudo, causaram torpor nas redes bolsonaristas. Isso porque o motorista fez uma série de declarações procurando desvincular seus seguidos apelos pela paralisação de rodovias por colegas caminhoneiros da figura de Jair Bolsonaro. De herói da resistência, Marcos Antônio passou a ser visto como traidor em vários grupos de WhatsApp e do Telegram. 

“Nossa luta é contra os desmantelos do Supremo, o Alexandre de Moraes, a corrupção Não estamos de maneira nenhuma defendendo o presidente Bolsonaro. Nem contra, nem a favor. Nós estamos lutando pelo Brasil, Brasil, Brasil, tá? Brasil! Essa luta é brasileira. Pelo amor de Deus, as paralisações precisam ter a cara do Alexandre de Moraes, pedindo o impeachment. Tirem as faixas com o nome do Bolsonaro, pelo amor de Deus”. 

A tentativa de se desassociar da figura do presidente ocorre um dia após Bolsonaro pedir a caminhoneiros que desocupassem rodovias paralisadas em nome da economia. O episódio gerou muito ruído entre os motoristas, que atribuíram a fala a um vídeo antigo. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, chegou a gravar um vídeo reforçando o apelo.

O esforço de Tarcísio, que mantém diálogo estreito com o setor, não funcionou. Não só estradas seguem bloqueadas em diferentes pontos do país como a desinformação no WhatsApp se voltou contra o governo. Circularam nas redes sociais vídeos de caminhoneiros entrincheirados celebrando a suposta implementação de um estado de sítio no Brasil por Bolsonaro, o que não aconteceu. 

Ao dizer que não está “de maneira nenhuma” defendendo o presidente, Zé Trovão acrescentou novos ingredientes no caldo de confusões. Houve quem apontasse o caminhoneiro como um infiltrado da esquerda ou até mesmo uma “criação” do ministro Alexandre de Moraes, que decretou seu pedido de prisão a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). 

“Esse vídeo do Zé Trovão é muito claro. Eu interpretei como traição, como alguém que quer sair candidato a deputado nas próximas eleições ou algo tipo. Se ele quis dizer outra coisa, escolheu mal as palavras”, disse um apoiador do presidente em um grupo no Telegram. “Esse Zé Trovão é um Zé Pilantra. Só mais um oportunista que vem com essa conversa  de que não é pelo presidente, mas pelo Brasil. É mais um (Sérgio) Moro, Joice (Hasselmann), (Alexandre) Frota”, esbravejou outro em referência a ex-aliados de Bolsonaro. 

Houve, no entanto, quem apoiasse o caminhoneiro. “Se atribuírem a Bolsonaro a greve e o fechamento das estradas, eles caçarão o presidente. Zé Trovão está certo, não (se) pode atrelar fechamento de BR e atos inconstitucionais ao presidente, é tudo o que eles querem, um motivo (para derrubá-lo). Pensem!”, defendeu um bolsonarista no Telegram. “Até que provem o contrário, darei um voto de confiança a Zé Trovão”, comentou outro.  

O México ainda é um dos poucos países a conciliar elementos estratégicos para Zé Trovão: além de voos diretos para o Brasil, o país não exige vistos nem testes de Covid-19, em meio a diversas restrições globais em função da pandemia. O país, no entanto, mantém um tratado de extradição com o Brasil desde os anos 30. 

Via-O Globo

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Redação Juruá Online

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