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Estudante que denunciou engenheiro civil por estupro em Cruzeiro do Sul tem apoio de outras mulheres nas redes sociais

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Gabriela Nascimento tem recebido apoio e acolhimento de diversas partes do Brasil após denunciar estupro em Cruzeiro do Sul. Mulheres e homens têm compartilhado a hashtag #justiçaporgabriela nas redes sociais.

A estudante de agronomia Gabriela Souza, de 22 anos, que denunciou o engenheiro civil André Anderson Martins, de 24, por estupro após ser forçada a fazer sexo sem preservativo, ganhou apoio de diversas mulheres nas redes sociais.

Após o relato da vítima, mulheres e alguns homens passaram a compartilhar um texto em apoio à Gabriela e marcar a hashtag #justiçaporgabriela.

“As mulheres todos os dias são agredidas, violentadas e assediadas em todos os lugares e em todos os momentos, é uma luta diária para sobreviver. E adivinha de quem é a culpa? A culpa é das nossas roupas, dos nossos ‘modos’, das nossas atitudes… Nunca dos agressores. A Gabriela teve coragem de expor a violência sofrida (e acredite, não é nada fácil)”, diz parte do texto compartilhado.

E o apoio veio de diversas partes do Brasil. Pessoas de Porto Velho (RO), Amazonas (AM), Minas Gerais (MG), do interior do Acre, entre outras, demonstraram solidariedade e pediram justiça para o caso.

“A mulher é questionada, é ridicularizada, duvidam da nossa palavra, o acusado por regra está isento disso porque, historicamente, ele domina. É incrivelmente difícil para que haja a denúncia, há desgaste físico e mental, teu corpo não aguenta, a angústia te consome e você ainda sofre julgamentos. Precisamos ser fortes, precisamos lutar, já chega! Não seremos silenciadas”, defende outra postagem de apoio.

G1 ouviu o advogado de defesa do engenheiro, Vitor Damaceno, e ele disse que o caso deve seguir em segredo de justiça e por isso alguns detalhes do processo não podem ser revelados. Ele garante que não houve estupro e que a relação foi consensual do início ao fim.

Vítima tem recebido mensagens de várias partes do Brasil  — Foto: Reprodução

Vítima tem recebido mensagens de várias partes do Brasil — Foto: Reprodução

Importância do apoio

Ao G1, neste domingo (23), Gabriela revelou que se sentiu muito desamparada e perdida quando fez a denúncia, que houve de pessoas que seria a palavra dela contra a dele. Desesperada, ela chamou os pais, na sexta-feira (21), que trabalham no interior, para ficar com ela, contou o que aconteceu e recebeu apoio deles. Os pais de Gabriela também ficaram abalados com o que houve.

“Ouvi até na delegacia que seria minha palavra contra a ele, vi que ele tinha bons advogados e eu sem nenhum, fora a ameaças que recebi dele também. Me senti sozinha, e quando as pessoas passaram a me acolher foi muito importante, principalmente nos últimos dias em que minha mãe chegou com meu pai, fui contar tudo e foi horrível. Minha família está abalada, sempre tive muito medo”, relatou.

A jovem explicou também que recebeu mensagens de várias mulheres incentivando a denúncia, acolhendo e desejando forças para ela. Ao saber que o engenheiro tinha sido solto, Gabriela falou que pensou em fazer algo contra a própria vida.

“Pensei que não daria em nada, mas minhas amigas me deram muita força e o tanto de pessoas que estão me acolhendo fez com que eu tivesse vontade de continuar lutando pelo processo. Recebi mensagens de outras mulheres que passaram por abusos. Uma jovem falou que, quando ouviu meu relato, contou para os pais que sofreu abuso também. Isso é muito importante para mim”, disse, emocionada.

Gabriela conta que depois do ato sexual, André Anderson pediu para tirar foto com ela, mesmo ela bastante abalada  — Foto: Arquivo pessoal

Gabriela conta que depois do ato sexual, André Anderson pediu para tirar foto com ela, mesmo ela bastante abalada — Foto: Arquivo pessoal

‘Eu gritei, chorei e ele não parou’

Gabriela e o engenheiro se relacionavam desde o ano passado e ela diz que mantinha uma dependência emocional com ele. Apesar de morar em Guajará (AM), tudo aconteceu enquanto ela passava uns dias na casa de uma amiga no interior do estado. Ele chegou a ser preso e encaminhado ao Presídio Manoel Neri ainda na sexta-feira (21), mas foi liberado nesse sábado (22).

Na quarta (19) à noite, Gabriela e Anderson marcaram de conversar e ele levou a estudante até a casa da mãe dele. A estudante conta que queria conversar e resolver a história dos dois, mas diz que ficou em estado de choque ao vê-lo, sem saber o que falar.

Ele, segundo ela, travou as portas do carro e a convenceu a ir até a casa da mãe dele, onde tiveram mais uma vez relação sexual.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“O que deixei bem claro é que no início realmente foi consensual, mas, quando eu vi que ele queria fazer sexo sem preservativo, eu já disse não. Quando ele quis fazer sexo anal, eu pedi que ele parasse. Não queria mais, doía muito. Eu gritei, chorei e ele não parou”, revela.

Depois disso, a estudante disse que chorou e o engenheiro falou que era normal e que depois ela se acostumaria [com o sexo anal]. Mesmo abalada, ela disse que não conseguiu falar nada para ele, porque não se sentia segura. “Eu interagi com ele, mas só queria sair dali. Fui o caminho de volta para a casa da minha amiga calada.”

Gabriela conta que após a relação ocorrer, o engenheiro mandou mensagem perguntando se estava tudo bem  — Foto: Arquivo pessoal

Gabriela conta que após a relação ocorrer, o engenheiro mandou mensagem perguntando se estava tudo bem — Foto: Arquivo pessoal

Depois disso, ela gravou vídeos em uma rede social expondo a situação, procurou a delegacia, fez exames de corpo de delito e precisou de atendimento médico em uma unidade de saúde, porque, segundo ela, estava com muitas dores. O caso teve bastante repercussão nas redes sociais e Gabriela alega até que outras meninas a procuraram para dizer que teriam sido vítimas do engenheiro.

Investigações

A polícia informou que no BO a jovem teria informado que teve relações com o homem pelo menos três vezes. Ao retornar ele teria procurado por ela novamente, quando ocorreu o estupro.

A jovem passou por exame de corpo de delito, que comprovou a conjunção carnal, mas não a lesão anal, segundo informou a polícia. No entanto, a estudante garante que tentou repetir o exame.

Gabriela expôs a história em redes sociais, além de ter procurado a delegacia  — Foto: Reprodução/Twitter

Gabriela expôs a história em redes sociais, além de ter procurado a delegacia — Foto: Reprodução/Twitter

Ela denuncia ainda que não teve o atendimento adequado na delegacia geral da cidade e que chegou a pedir para refazer o exame que comprova a relação anal por achar que não foi feito corretamente, mas foi convencida a não repetir o exame pelo delegado.

Ela contou ainda que não se sentiu amparada e que na delegacia ficou próxima do agressor, até que um amigo pediu que ela fosse para uma sala separada. Segundo a estudante, familiares do engenheiro chegaram a ir até a casa dela pedir que ela retirasse a queixa.

Ao G1, a assessoria da Polícia Civil nega as denúncias e disse que a vítima foi atendida por uma agente mulher para que pudesse se sentir mais amparada. Disse ainda que o procedimento seguiu o trâmite normal, já que o suspeito foi preso horas depois.

‘Consensual’, diz defesa

O advogado de defesa do engenheiro, Vitor Damaceno, disse que o caso deve seguir em segredo de justiça e por isso alguns detalhes do processo não podem ser revelados.

Ele garante que não houve estupro e que a relação foi consensual do início ao fim. “Temos provas concretas de que o crime não ocorreu conforme ela menciona. Provas estas que não posso apresentar porque expõe muito da intimidade de ambos, mas que comprovam o inverso do que ela diz. A nossa versão se limita a negar os fatos de estupro. Tudo foi consensual desde o começo, o próprio laudo médico diz isso”, alega.

Damaceno disse ainda que não sabe precisar quanto tempo de relação os dois tinham e que estão sendo colhidas informações telefônicas. A Justiça também expediu medidas protetivas para que ele fique longe da jovem.

Stealthing

Em uma publicação no seu site oficial, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios explica que o “stealthing”, que consiste na retirada do preservativo durante a relação sexual, sem o consentimento da outra pessoa, pode caracterizar o crime de violação sexual mediante fraude, descrito no artigo 215 do Código Penal.

“A palavra “stealthing” vem da língua inglesa e, em tradução livre, significa furtivo. O autor desse crime leva a vítima a acreditar que está em um ato sexual seguro, mas de maneira escondida ou camuflada, retira o preservativo e passa a praticar ato em desconformidade com a vontade da vítima. Cabe ressaltar que mesmo que a o início da relação tenha sido consentido, a partir do momento em que há a falta de consentimento a conduta pode ser caracterizada como crime de estupro.”

Por: G1 ACRE

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Redação Juruá Online

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