29 de junho de 2022   |   08:22  |  

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Disparidade financeira entre branco e negros piora nos EUA, diz estudo

A pandemia exacerbou a concentração de renda, de acordo com os dados, que detalham 160 anos dessa desigualdade pela primeira vez.

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A diferença entre a riqueza de americanos negros e brancos, um dos indicadores mais fortes de desigualdade nos EUA, caminha para aumentar substancialmente depois que a pandemia exacerbou a concentração de renda, de acordo com novos dados que detalham 160 anos de disparidade financeira pela primeira vez.

Os americanos negros em 2019 tinham um sexto da riqueza dos americanos brancos em uma base per capita, de acordo com o estudo dos economistas Ellora Derenoncourt, Chi Hyun Kim, Moritz Kuhn e Moritz Schularick. Embora seja uma melhora drástica em relação à proporção de 60 para um em 1860, às vésperas da Guerra Civil, ainda é menor do que na década de 80.

“O papel recente dos ganhos de capital na ampliação da diferença de riqueza racial pinta um quadro preocupante para o futuro da convergência de riqueza racial”, escreveram os autores no artigo divulgado pelo National Bureau of Economic Research.

“Na ausência de intervenções políticas ou outras forças que levem a melhoras nas condições relativas de acumulação de riqueza dos negros americanos, a convergência de riqueza não é apenas um cenário distante, mas impossível”, disseram.

A pandemia levou a concentração de riqueza a atingir seu nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial, Derenoncourt, da Universidade de Princeton; e Kim, Kuhn e Schularick, da Universidade de Bonn, na Alemanha, disseram.

Se as atuais condições de acumulação de riqueza continuarem para as próximas gerações, eles estimam que o coeficiente entre brancos e negros pode chegar a 8,4 em 2200, contra 5,6 em 2019.

O fracasso em diminuir a disparidade financeira entre negros e brancos desde a década de 80 pode ser atribuído, em grande parte, aos tipos de ativos que compõem as participações de cada grupo.

As famílias negras detêm quase dois terços de seu patrimônio em habitação e muito pouco em ações, enquanto os americanos brancos possuem ações em números muito maiores. Nos últimos 70 anos, as ações se valorizaram cinco vezes mais do que os preços dos imóveis.

Mas o grande abismo entre a riqueza branca e negra após a emancipação – quando os negros americanos foram libertados de quase 250 anos de escravidão nos EUA sem receber reparações – garantiria hoje uma lacuna de riqueza mesmo se os negros americanos não tivessem ficado de fora de grandes oportunidades de acumulação de riqueza nos últimos 160 anos, disseram os autores.

Por O Globo

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