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Delegado diz que secretário agiu em legítima defesa ao matar suspeito em tentativa de assalto em escola no AC

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Em uma análise preliminar dos fatos, o delegado Marcus Cabral, da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), acredita que o secretário da Escola Estadual Lourival Sombra, que reagiu a um assalto na instituição e matou o suspeito com tiros, agiu em legítima defesa.

Por isso, o relatório final do inquérito que tramita na DPHH deve pedir o arquivamento do processo com relação à morte violenta. Por se tratar de um roubo, o caso também é apurado pela Delegacia de Combate a Roubos e Extorsões, a Decore.

“Fizemos uma análise preliminar dos fatos, trata-se de um crime de roubo mal sucedido. Após o anúncio do assalto, um dos servidores da escola que estava portando arma de fogo revidou a injusta agressão, agindo em legítimo dele próprio e também de terceiros, vindo a alvejar o assaltante, que foi a óbito no local”, disse o delegado.

O assalto ocorreu na última sexta-feira (16) na escola que fica no Conjunto Tangará, em Rio Branco. Segundo a polícia, o criminoso invadiu a escola, rendeu os servidores e foi morto a tiros pelo secretário.

O delegado informou que ainda deve ouvir o secretário e que foi requisitada informações para confirmar se ele realmente tinha porte de arma de fogo.

“Tivemos informação que ele continua hospitalizado. Tão logo seja possível colher informações, será feito e logo que cheguem as perícias já requisitadas, concluiremos o inquérito pela análise preliminar apontando a legítima defesa.”

O assaltante que morreu foi identificado com Ivanilso Ângelo Reis da Silva, de 28 anos. Um comparsa dele, que estava do lado de fora do colégio, fugiu ao ouvir os disparos dentro da instituição. A coordenadora administrativa da escola, de 50 anos, que também ficou ferida na ação criminosa, recebeu alta do hospital ainda na sexta.

Sobre o suposto comparsa que estaria com o assaltante no dia do crime, o delegado Marcus Cabral disse que a identificação e prisão dele deve ser feita pela Decore.

Secretário escolar está internado no Pronto Socorro de Rio Branco desde sexta-feira (16) — Foto: Arquivo pessoal

Secretário escolar está internado no Pronto Socorro de Rio Branco desde sexta-feira (16) — Foto: Arquivo pessoal

‘Era eu ou ele’

Ainda internado e se recuperando dos ferimentos no pronto socorro, o secretário conversou com o G1 e contou como foi a invasão ao colégio. Ele pediu que a identificação não fosse divulgada.

O servidor público foi atingido com cinco tiros: na mão, no tórax, no abdômen, no rosto que pegou no nariz e na cabeça de raspão. Ele diz ter duas balas alojadas no corpo, sendo uma próxima ao tórax e outra na cervical que não devem ser retiradas, conforme o servidor.

Ele passou por uma cirurgia na mão, porque estava com um sangramento intenso nessa região. Apesar da situação, o quadro é estável, ele está consciente e internado em uma das enfermarias da unidade hospitalar.

“Não teve conversa, falou que era um assalto. Ficamos esperando o que ele ia fazer e só sacou a arma e não falou o que queria. Não pediu nada. Era eu ou ele ou outro servidor [morto]. Já aconteceu na escola questão de segurança também, não com arma de fogo, mas com outros profissionais com pais que agrediram”, recordou.

Local ficou sujo de sangue das vítimas após tiroteio dentro do colégio — Foto: Andryo Amaral/Rede Amazônica Acre

Local ficou sujo de sangue das vítimas após tiroteio dentro do colégio — Foto: Andryo Amaral/Rede Amazônica Acre

Coordenadora usada como escudo

O secretário recordou que utilizava o computador de outra sala quando o local foi invadido. Ele estava com outros três servidores que se reuniram para iniciar o expediente. O portão do colégio estava aberto para receber os pais de alunos que iriam pegar as atividades escolar.

Geralmente fica um servidor no portão para organizar a entrada e saída desses pais, mas essa pessoa ainda não tinha chegado na escola. O servidor falou que viu o assaltante olhando na sala e saindo, mas acreditava que era alguém em busca de atendimento.

“Foi quando ele apareceu na porta com a coordenadora, ela não sabia o que falar e nem ele. Até que falou que era um assalto e ficamos sem saber o que fazer. Colocou a coordenadora na frente dele, usou como escuto, sacou a arma e já começou a atirar. Foi quando levantei, saquei a minha arma e atirei também. Só que, como estava com ela na frente, eu não consegui atirar direito, tive que esperar o momento certo para não acertar ela”, destacou.

O servidor disse que, mesmo ferido, continuou atirando no assaltante até ter certeza de que ele não iria mais fazer nenhum disparo. Sobre a coordenadora, ele afirmou não saber quem atirou nela.

“Pelo que falou foi atingida nas costas, e ela estava de frente para mim e de costas para ele. Achei que tinha sido ele, mas não sei. Não sei onde atingi ele, dei vários disparos até ter certeza que não estava mais atirando em mim”, frisou.

A Polícia Militar falou, no dia do crime, que foram disparados mais de 15 tiros dentro da sala. O secretário explicou que, durante o tiroteio, os demais servidores ficaram abaixados e escondidos.

Um vídeo gravado por populares mostra o momento da chegada da PM-AC no colégio. O assaltante morreu no local e os servidores foram levados para o pronto socorro pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Assalto em escola do Acre acaba com secretário e coordenadora feridos e assaltante morto

Assalto em escola do Acre acaba com secretário e coordenadora feridos e assaltante morto

Porte de arma

Mesmo ferido, o servidor disse que não desmaiou e nem caiu. Após o suspeito morrer, ele relembrou que chegou a ir até a frente do colégio e depois se abrigou na sala e pediu para chamarem socorro. O servidor garantiu que tem porte de arma desde 2017, que entregou a arma para perícia e apresentou a documentação exigida.

Ainda segundo ele, essa foi a primeira vez que teve que sacar a arma e reagir a um assalto.

“Ando com minha arma para onde vou, inclusive, já fui parado pela polícia e apresentei a documentação. Minha arma foi recolhida para perícia. Acho que tinham morrido até mais gente [se não tivesse armado]. Quando esse pessoal entra na escola nunca sabe se vão executar vários, como já aconteceu no Brasil, ou qual é a situação. Sem saber que eu estava armado sacou a arma e apontou. Não dá para saber”, diz.

Segundo o secretário, os médicos falaram que as balas que atingiram o tórax e a cervical vão permanecer onde estão dentro de seu corpo, que não trarão prejuízos. Ele ainda não tem previsão de alta médica .

“Foi feita uma cirurgia no braço para retirar uma bala que transfixou, tenho mais duas no meu corpo, na cervical e no tórax. O médico falou que essa na cervical é mais perigoso mexer e corre o risco de ficar paraplégico. Segundo os médicos, não vão ofender, por enquanto”, concluiu.

Atendimento presencial suspenso

Dois dias depois do assalto, que deixou dois servidores feridos e um dos assaltantes mortos, a direção da Escola Estadual Lourival Sombra, em Rio Branco,  suspendeu o atendimento presencial na instituição, segundo informou a coordenadora Gleicy Ribeiro nessa segunda (19).

“A equipe da escola está toda apreensiva, está com medo. Principalmente as pessoas que estavam aqui presentes na sexta (16), que participaram do que aconteceu. No momento, a gente suspendeu o atendimento presencial na escola. Vamos continuar nossos trabalhos de maneira totalmente remota, de casa. O atendimento ao público aos pais está suspenso até a gente conseguir organizar novamente a nossa escola”, informou.

Via-G1

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Redação Juruá Online

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