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CRUZEIRO DO SUL-Acre – “Onde outrora espumava um tapir”

O Dia 28 de setembro é o dia em que nós cruzeirenses temos muitos motivos para rememorar os 117 anos de nossa terra, no extremo ocidente do Brasil.

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       117 ANOS

      

  Por Raimundo Carlos de Lima *

O Dia 28 de setembro é o dia em que nós cruzeirenses temos muitos motivos para rememorar os 117 anos de nossa terra, no extremo ocidente do Brasil.

Cruzeiro do Sul, embora se situe no extremo ocidente do Brasil, recebeu esse nome de seu ilustre fundador, o então Coronel do Exército Brasileiro Gregório Thaumaturgo de Azevedo, porque, segundo ele – um homem já reconhecido como um brasileiro tenaz e de grande capacidade profissional por ter cumprido importantes missões em prol do Brasil – viu, com olhos de um bom engenheiro, que ali a Constelação do Cruzeiro do Sul brilhava com mais intensidade que nas demais partes do País.

A terra dos Nauas, como é conhecida por terem sido os índios Nauas os primeiros ali encontrados por volta da década de 1840, portanto muito antes da fundação (1904), fora conquistada após muitas lutas pelos milhares de brasileiros que ali já labutavam, em especial a partir de 1877. Estimava-se já formarem um contingente, por volta de 1900, de 60 mil em toda a área que corresponderia ao futuro Território do Acre. Tais brasileiros já haviam ali chegado há alguns anos e produziam as valiosas pelas da borracha natural para fortalecer a Balança Comercial do Brasil. Assim, a despeito de localizada na Amazônia Ocidental, a denominação ficou bem apropriada, porque ali “a imagem do Cruzeiro resplandece” em  “novo estado no chão do Brasil.”

Thaumaturgo de Azevedo, que logo no início elaborou com sua equipe de engenheiros uma bela Planta para a cidade (com amplas avenidas, ruas, praças e outros meios urbanos), era engenheiro militar e bacharel em matemática, ciências físicas, ciências jurídicas e sociais.

Tenho ouvido de vários cruzeirenses que perdemos a beleza visual de nossa “Veneza acreana”. Era essa a denominação comparativa que fazíamos de Cruzeiro do Sul com a Veneza italiana, quando  as águas do glorioso rio Juruá, em suas enchentes anuais adentravam o Igarapé Boulevard (paralelo às Avenidas Boulevard Thaumaturgo e Copacabana, que formavam a antiga Linha do Tiro). Então, achei interessante aproveitarmos este momento comemorativo para relembrarmos um pouco dessa fase.

Até o ano de 1970 era comum que, com o leito do referido Boulevard, em níveis bem mais baixos, as águas das enchentes dos rios Juruá e seus afluentes rio Moa e Igarapé São Salvador, que ficam a montante, próximos da cidade, logo penetrassem no Boulevard e, encontrando as grandes depressões (baixas) na parte central da cidade, formassem as belas lagoas, umas bem grandes e outras menores, mas formando belas paisagens.

O Administrador municipal do período 1967-1971 (Prefeito) era Moacir de Souza Rodrigues.    

Para construir a rodovia ligando o estado de leste a oeste, tão desejada por todos nós, mas já sonhada desde os idos de 1904 por Thaumaturgo, Euclides da Cunha (que sugeriu uma ferrovia), o presidente Affonso Pena, o engenheiro Antônio Manuel Bueno de Andrade, que se tornou prefeito (1907-1909) e outros mais, foi instalado no ano de 1969 o 7º Batalhão de Engenharia de Construção (7º BEC), que fixou um novo marco de progresso em Cruzeiro do Sul, que era bem maior, pois deste município faziam parte as Vilas Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Thaumaturgo, desmembradas da terra-mãe, a primeira em 1977 e as demais três em 1992.

Instalado o 7º BEC, consta dos anais daquela instituição que o então prefeito, Moacir Rodrigues, perguntou ao responsável pela instalação daquela unidade do Exército Brasileiro e dirigindo-a, o então Capitão Lauro Augusto Andrade Pastor Almeida (depois Coronel, que falecera em Manaus no ano de 2020), se o Exército não poderia dar uma grande contribuição, com algumas de suas grandes máquinas de terraplenagem que ainda não se encontravam nas frentes de serviço da rodovia, para aterrar algumas depressões do centro da cidade, visando aumentar o espaço a ser edificado e abertura de ruas e avenidas. O pedido foi aceito e o 7º BEC, contando inclusive com operação de máquinas pelo Capitão Pastor, suprimiu todas as baixadas que formavam as belas lagoas e, consequentemente, também as lagoas  que faziam lembrar “veneza”, como podemos ver parcialmente nas duas primeiras fotos a seguir, que mostram o mesmo local, antes e depois:

aspectos da Veneza acreana

Antes do aterro-Foto acervo José Evandro Nogueira

Depois do aterro-Foto Raimundo Carlos de Lima (Dindola)
Cruzeiro do Sul-Centro Arquivo Nacional
Cruzeiro do Sul-Centro Ponte da Avenida Boulevard Thaumaturgo-Mercado Público/Acervo Evandro Nogueira

                                                                 

                 A pavimentação de avenidas e ruas

Antes de 1970, como as poucas ruas e avenidas já abertas não tinham pavimentação,

a população contava com duas opções, ambas desfavoráveis à circulação de carros e pedestres: no período de poucas chuvas, bastante poeira; no período chuvoso, bastante lama. Muitas pessoas, em geral homens, usavam botas longas, de borracha sintética e também sapatos da borracha natural. Ah, mas com o sapato de borracha do leite da seringueira era preciso ter muita destreza e equilíbrio, saber patinar na lama (de argila), sob pena de levar tombos e mais tombos num pequeno trajeto. O sapato deslizava como sabão!

Quanto à pavimentação das avenidas e ruas, só por volta de 1975 é que teve início, na administração do engenheiro agrônomo João Soares de Figueiredo (João Tota). A pavimentação inicial foi feita com tijolos maciços, como se pode ver na foto a seguir, da

Av. Boulevard Thaumaturgo – um trecho onde ficava um conhecido “mata-burro”  e um grande portão para passagem de pessoas e animais – onde até 1969 havia apenas uma espécie de rua de terra de cerca de quatro metros de largura, ou pouco mais.

Fotos do mesmo trecho da avenida Boulevard Thaumaturgo

Av.Boulevard Thaumaturgo/Foto Raimundo Carlos de Lima (Dindola)

Av Boulevard Thaumaturgo-CZS (2010)                   Foto Raimundo Carlos de Lima (Dindola)

O aterro de parte do centro da cidade, como já citado, e serviços de terraplenagem em algumas avenidas e ruas foram obras urbanas relevantes realizadas pelo 7º BEC, em colaboração com a prefeitura municipal e que contribuíram para que a administração municipal realizasse, posteriormente, a pavimentação desta e de outras avenidas e ruas, inicialmente em tijolo maciço e mais tarde em asfalto.

A pavimentação asfáltica teve início no ano de 1982, na administração do prefeito João Soares de Figueiredo (depois João Tota Soares de Figueiredo), em seu segundo mandato.

No final de 2011, a principal parte do centro da cidade e boa parte de algumas avenidas e ruas apresentavam-se pavimentas com asfalto.

Saindo um pouco das belezas e transformações urbanas de nossa querida Cruzeiro do Sul, passemos a pontos que requerem atenção e providências imediatas e permanentes.

Em crônica comemorativa dos seus 116 anos de fundação (28 de setembro de 2020), a cidade de Cruzeiro do Sul, usando a figura de linguagem “prosopopeia”, narrou aos seus filhos (legítimos e adotivos) um de seus problemas surgidos no ano, que aliás não é só seu, mas do Brasil e do mundo: a tal “pandemia COVID”. A referida narração, vou repetir aqui, posto que a citada doença epidêmica, que teve seu 1º caso de contaminação no Brasil em 26 de fevereiro de 2020, com o 1º óbito em 12 de março do mesmo ano, ainda continua fazendo vítimas em Cruzeiro do Sul, no Brasil e no mundo, infelizmente. Dizia a crônica comemorativa dos 116 anos, em 2020, que o município (o 2º maior do estado do Acre) teve muitas conquistas e avanços na saúde, desde sua fundação em 1904 até os dias atuais, embora a pandemia tenha causados muitos obstáculos.

Transcrevo aqui a narrativa, na qual Cruzeiro do Sul diz:

Mas foi na saúde, no entanto, como todos sabem, que meu povo e o mundo inteiro teve um ano difícil. Uma crise sanitária mundial equivalente à ultima, que ocorrera em 1918-1920, a Gripe Espanhola, que matou cerca de 35.000 brasileiros e mais de 50 milhões no mundo. Em 1918,  o Brasil tinha apenas cerca de 28 milhões de habitantes. A crise atual, causada pelo CONONAVIRUS, me tirou vários filhos, legítimos e adotivos, incluindo profissionais da saúde (conforme Boletim-COVID/AC, até 25.09.2020 foram 59), além de ter deixado sequelas na saúde de muita gente e em minhas atividades econômicas.

Aliás, para muitos de meus filhos que ainda não sabem, vou registrar aqui o que a Imprensa já tem divulgado, o que significa esse fenômeno. COVID significa  Coronavírus Disease. “Disease”  significa  Doença, em inglês (pronuncia-se “di-zí-zi”). Então, COVID é a Doença do Coronavírus, ou seja,  a doença causada pelo vírus corona. Ela está identificada como  Covid-19. De acordo com a Fundação Fiocruz, “19” se refere ao ano de 2019, ano em que os primeiros casos surgiram na cidade de  Wuhan, China e foram divulgados publicamente pelo governo chinês no final de dezembro.

Assim, no ano de 2020 (até 25 de setembro), a quantidade de vítimas fatais-COVID em Cruzeiro do Sul foi de 59 (cinquenta e nove), enquanto em todo o estado fora de 654 (seiscentos e cinquenta e quatro).   

Então, em que pese estarmos comemorando os 117 anos de nossa cidade, promissora e bela, registro aqui apenas os meus sentimentos  pelas significativas perdas, de parentes, amigos e demais conterrâneos (legítimos e adotivos), cujos nomes deixo de citar porque trata-se de uma situação em que todos os conterrâneos –  incluindo os que partiram para a vida eterna neste ano de 2021 por outras causas – merecem nossas homenagens e não teríamos como fazê-lo aqui. Mas, desde o ano de 2020 tem sido o grande problema a ser combatido, e que causou prejuízos de várias ordens, inclusive aos empreendedores do setor econômico e aos trabalhadores. A quantidade de vítimas fatais-COVID em Cruzeiro do Sul, acumulada até 25 de setembro de 2021, conforme Boletim-COVID/AC de 25.09.2021, é de 167. Em todo o Estado do Acre, o total acumulado é de 1.836 pessoas.     

Esses são fatos que, a meu ver, passam a fazer parte da história do setor da Saúde de nossa Cruzeiro do Sul e do mundo. Mas é importante registrarmos que, nesse mesmo setor da saúde tivemos significativos avanços no ano de 2021. Embora por conta desse sério problema na saúde, o Governo do estado implementou melhoria na infraestrutura que, salvo melhor juízo, servirá para os tempos vindouros, se Deus permitir, sem qualquer tipo de pandemia, como é o caso do atual Hospital de Campanha da cidade.

Outra ocorrência em 2021, também muito importante, porém, positiva e bem vinda está sendo a instalação e início de funcionamento do nosso 1º Curso de Medicina em Cruzeiro do Sul, que no mês anterior ao início das aulas já contava com seus primeiros 50 alunos matriculados. E assim começamos a nos familiarizar com essa importante conquista, que chegou com a Afya Educacional, por sua unidade de nome ITPAC Cruzeiro do Sul (Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos-ITPAC), em belas instalações e ótima localização disponibilizada por empreendedor local, da família Cameli, a qual vem dando, há anos, sua importante contribuição ao desenvolvimento socioeconômico do Alto Juruá e, em especial, nos últimos anos à cidade de Cruzeiro do Sul. 

Cruzeiro do Sul – Cidade-Polo

O Estado do Acre é composto de duas Mesorregiões:  a do Vale do Acre e a do Vale do Juruá. A do Vale do Juruá se compõe de 2 regionais: Regional do Juruá, com os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves, com uma população total de 161.394 habitantes; e Regional Tarauacá-Envira, com os municípios de Feijó, Jordão e Tarauacá, com uma população de 87.344 habitantes.

De fato, Cruzeiro do Sul, além de seus 89.760 habitantes, assiste, em especial na educação, saúde e serviços bancários, os demais municípios de sua Regional, dela desmembrados, com população total de 71.634 habitantes, e também  os municípios amazonenses de Guajará e Ipixuna, com população total de 48.365 habitantes. Portanto, a população total (potencial e não efetiva), em especial no setor médico-hospitalar e ambulatorial pode alcançar 209.759 (161.394 + 48.365) pessoas, da Regional Juruá e dos dois municípios do Amazonas, sem contar alguns casos da Regional Tarauacá-Envira, que eventualmente buscam meios na saúde em Cruzeiro do Sul, recebendo a devida atenção.     

* Raimundo Carlos de Lima  (Dindola) é  cruzeirense, autor de:

  –  livro NA AMAZÔNIA OCIDENTAL, a cidade-sede do  Alto Juruá revelada,lançado em jan 2016;

  –  poema Amor à terra do extremo ocidente,de2017 (homenagem a Cruzeiro do Sul por seus 113 anos);

  –  crônica em homenagem aos 114 anos de Cruzeiro do Sul-AC  (set-2018);

  –  crônica em homenagem aos 115 anos de Cruzeiro do Sul-AC  (set-2019).

  –  crônica em homenagem aos 116 anos de Cruzeiro do Sul-AC  (set-2020).

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Redação Juruá Online

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