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Chandless: a complexa missão de integrar homem e natureza com cidadania, dignidade e sustentabilidade

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Em momento histórico para o Acre, o governo Gladson Cameli leva, pela primeira vez, serviços públicos a uma das comunidades mais isoladas do planeta, a Floresta Estadual Chandless, na fronteira do Brasil com o Peru. Nesta reportagem especial, saiba mais sobre como essas ações vêm sendo realizadas

Barcos levando a equipe do governo singram o rio Chandless já ao anoitecer, em direção à sede do Parque Estadual Chandless, numa viagem de 12 horas desde Manoel Urbano; localidade recebeu a primeira edição da Ação Humanitária Itinerante, do Governo do Estado do Acre Foto: Odair Leal/Secom

É tempo de conciliação, de cidadania e de esperança numa das regiões mais isoladas do planeta. Em meio ao berçário de aves raras, répteis gigantescos e felinos vistosos, a expectativa de dias melhores renasce para 16 famílias, por meio do programa Ação Humanitária Itinerante, idealizado pelo governo Gladson Cameli para levar dignidade ao povo do Parque Estadual Chandless, a 233 quilômetros por água desde Manoel Urbano, numa viagem de mais de 12 horas de barco pelo Purus e, depois, pelo mesmo rio que empresta o seu nome ao parque.

Garotinho em preparação para soltar ave que acabara de ser capturada para estudos no Parque Estadual Chandless, por jovens mestrandos em biologia; integração da população local com a natureza é automática dentro da reserva de conservação Foto: Odair Leal/Secom

A área, que foi palco de conflitos épicos entre brasileiros e peruanos exploradores do caucho nos idos de 1903 e 1904, há mais de um século clama por um olhar humanizado das instituições nacionais, algo que se concretiza agora, graças à sensibilidade do governador Cameli em criar um programa para melhorar a vida das pessoas que moram no local – e em outros rincões do Acre.

Lancha do parque navega quase que silenciosa em apoio à equipe do governo pelo rio Chandless com a paisagem de grandes árvores sobre os altos barrancos do lugar; Floresta Estadual do Chandless recebeu a primeira edição do programa Ação Humanitária Itinerante, do governo do Estado do Acre Foto: Odair Leal/Secom

No último sábado, 29 de maio, pela primeira vez em 11 anos, 16 famílias, compostas por 76 homens, mulheres e crianças do Chandless receberam um governador de Estado, assim como uma primeira-dama, Ana Paula Cameli. A última vez que um chefe do Poder Executivo havia ido até a região foi em novembro de 2010, quando Binho Marques inaugurou a sede do parque.

Aranha é fotografada em árvore; Parque Estadual do Chandless concentra uma das maiores biodiversidades da Amazônia Foto: Odair Leal/Secom

Mais de uma década depois, a ação foi, desta vez, muito mais prática, objetiva e substancial: levar a primeira edição do programa Ação Humanitária Itinerante, um conjunto de serviços que vão desde consultas médicas e odontológicas, passando por exames laboratoriais e distribuição de medicamentos e de vacinação contra a Covid-19, à entrega de 16 placas fotovoltaicas que irão permitir a redenção energética para os moradores da região, possibilitando à comunidade mais qualidade de vida.

Odontólogos do programa Saúde Itinerante trabalham na recuperação da dentição de criança no Parque Estadual Chandless; carinho e dedicação pela população local Foto: Odair Leal/Secom

Nas palavras do governador, a garra e a coragem dos moradores da comunidade, por viverem em um dos lugares mais inóspitos do mundo, “os credenciam a ser muito mais valorizados pelo Estado brasileiro”.

Indígenas moradores do entorno do parque fazem uma pausa para o almoço à margem do rio Purus; área de conservação do Chandless é rodeada de aldeias indígenas, em sua maioria da etnia Kulina Foto: Odair Leal/Secom

“Na minha opinião, vocês são heróis, homens e mulheres que tanto necessitam da mão do Estado, mas que, apesar disso, sofreram muito tempo pela omissão dele. Todo o nosso esforço de chegar até aqui é por vocês. É para reafirmar que este governo tem compromisso com as pessoas, tanto com as das cidades quanto com as das áreas mais longínquas do nosso lindo estado”, afirmou Gladson, para uma plateia de ribeirinhos tradicionais, todos vivendo da economia de subsistência no Chandless.

Governador Gladson Cameli cumprimenta morador que está sendo atendido por um dos médicos do programa; ideia é valorizar cada um dos ribeirinhos do Chandless com vários serviços Foto: Odair Leal/Secom

No âmbito social, a população recebeu orientações sobre cuidados com a higiene corporal, esclareceu dúvidas em palestras sobre educação sexual e pôde entender mais sobre seus direitos e deveres, entre eles a Lei Maria da Penha, criada para coibir a violência de homens contra suas companheiras.

Isnailda Gondim, diretora de Política para Mulheres, conversa com o público feminino sobre direitos e deveres como forma de esclarecimento para uma boa convivência com suas companheiras Foto: Odair Leal/Secom

A Floresta Estadual Chandless é uma das cinco localidades que estão sendo contempladas pelo governo do Estado com ações jurídicas, sociais e de saúde. A edição conta também com o apoio do Tribunal de Justiça do Acre e da Superintendência do Ministério da Saúde no estado.

Governador Gladson Cameli posa para a foto com os representantes das diversas instituições que estiveram no Ação Humanitária Itinerante do Chandless; juíza Andreia Brito representou o Tribunal de Justiça do Estado do Acre Foto: Odair Leal/Secom

Por isso, ainda no sábado, como parte da Ação Humanitária Itinerante, as instituições presentes selaram um acordo de cooperação técnica que avalizou mais quatro edições do programa, a serem realizadas ainda no mês de junho nas florestas do Rio Gregório, do Mogno, do Rio Liberdade e do Antimari.

Foto: Odair Leal/Secom
Foto: Odair Leal/Secom
Foto: Odair Leal/Secom

Desse modo, assim como no Chandless, os moradores dessas áreas estaduais, também destinadas à conservação ambiental, serão contemplados pela ação governamental.

Na vastidão verde, amoxicilina é providencial a ataque de arraia

Nascer da Lua sobre a Floresta Estadual do Chandless; missão da equipe governamental navegou por mais de 220 quilômetros para levar atendimento médico, vacinação e outros serviços à comunidade Foto: Odair Leal/Secom

Um bicho cravou o ferrão no pé esquerdo da menina Ivaneide Pacaya, de 10 anos, quando ela brincava com os irmãos numa parte rasa do rio. O esporão de arraia atingiu em cheio o lado interno do pé da garota, dilacerando músculos e nervos e injetando uma dose lancinante de toxinas que a fizeram desmaiar de dor.

Dez dias depois de muito choro, febre e inflamação, e sem tomar praticamente nada que não fosse beberagens caseiras a partir de ervas, a menina finalmente foi atendida por uma médica do programa Saúde Itinerante.

Ela foi ao encontro dos serviços do governo levada pela mãe, Ivanilde Pinho, numa viagem de pouco mais de uma hora, descendo o Rio Chandless até a sede do parque, onde a equipe do Ação Humanitária Itinerante foi assentada.

“Está bem melhor agora. Cicatrizou rápido, graças a Deus”, alegrou-se a genitora, enquanto a filha espantava uma nuvem de mosquitos sobre a ferida. A prescrição médica: um frasco de amoxicilina líquida e uma pomada de neomicina para passar sobre o ferimento.

Ivaneide Pacaya recebe das mãos da servidora da Saúde medicamentos anti-inflamatórios e antibióticos Foto: Odair Leal/Secom

“Sabe, seu menino, quem dera nós tivesse [sic] um atendimento assim aqui de vez em quando. Nos meus 36 anos de idade, nunca tive essa oportunidade”, afirmou Ivanilde, em tom de agradecimento, enquanto pegava a ficha para outro atendimento, com o médico ginecologista Luiz Roberto Vargas. O resultado do exame ela pegará em 30 dias, no Hospital Geral de Manoel Urbano.

José Nunes Pacaya, 83 anos, o morador mais velho do Parque Estadual Chandless, em consulta médica; ele reclama da visão turva e necessitará de uma cirurgia de retirada de catarata Foto: Odair Leal/Secom

Já os gêmeos Naídes e Naísses Peres se queixavam de dores no estômago. Eles têm histórico de gastrite. Descendentes de peruanos, cedo perderam os pais, e os demais familiares voltaram para o Peru. Desde então, vivem numa localidade à margem direita do Chandless, próxima da sede do parque, praticamente como viviam os seus ancestrais, do plantio de arroz, da mandioca e do feijão, e da caça e da pesca.

Médica da família atende moradores do Chandless; oportunidade foi possível por meio do programa Ação Humanitária Itinerante Foto: Odair Leal/Secom

A última endoscopia de Naídes foi há dez anos, numa viagem a Pucallpa, cidade peruana a cerca de 510 quilômetros da área de conservação, em linha reta.

Profissional de Saúde prepara medicamento anti-inflamatório para morador acometido de uma ferida de difícil cicatrização; Ação Humanitária Itinerante levou para a comunidade uma variedade de 76 fármacos para vários tipos de doença Foto: Odair Leal/Secom

A dieta dos dois é à base de carne de animais silvestres salgada e exposta ao sol, farinha de mandioca, feijão e arroz. Os dois primeiros alimentos podem estar contribuindo para potencializar os problemas de acidez no estômago que os aflige, segundo a médica.

“Não temos geladeira e nem luz. Agora é que as coisas estão melhorando por aqui, com as placas de energia solar que recebemos do governo”, afirmou Naídes. Para o incômodo no estômago, os gêmeos receberam cartelas de omeprazol e frascos de Gastrol do programa Saúde Itinerante.

Matéria completa AQUI.

Por SECOM

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Redação Juruá Online

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