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Caso Henry Borel: com dez testemunhas, primeira audiência durou mais de 14 horas

Mudança de versão apresentada pela babá marca etapa inicial; nova fase preliminar do julgamento está agendada para 14 e 15 de dezembro

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A primeira audiência na Justiça do caso Henry Borel Medeiros, menino que chegou morto ao hospital em março deste ano, no Rio de Janeiro, teve o depoimento de dez testemunhas de acusação. A abertura da fase preliminar do julgamento durou mais de 14 horas e terminou já no início da madrugada desta quinta-feira (7). A sessão aconteceu no II Tribunal do Júri, no Fórum da capital carioca.

A mãe do menino Henry, a professora Monique Medeiros, acompanhou os depoimentos presencialmente. Já o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, assistiu à sessão de forma remota, de dentro do Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8. Os dois estão presos desde 8 de abril e são acusados de homicídio triplamente qualificado e tortura.

Depoimento da babá

A babá de Henry, Thayná Oliveira Ferreira, peça-chave na apuração dos fatos, apresentou uma nova versão durante a audiência. Ela foi a última testemunha a prestar depoimento. Antes de começar a falar, a funcionária solicitou à juíza Elizabeth Machado Louro que Monique Medeiros se retirasse da sala.

Thayná, que trabalhou como cuidadora de Henry por cerca de um mês, alegou que se sentiu usada por Monique. Ela afirmou que a professora teria feito com que ela acreditasse nas acusações contra Jairinho. Além disso, a babá afirmou que nunca presenciou cenas de violência do ex-vereador à criança. “Eu não falei em nenhum momento de agressão, porque eu não vi nenhuma agressão”, destacou.

Essa é a terceira versão dos fatos que ela relata às autoridades. A profissional responde por falso testemunho em um inquérito na 16ª Delegacia, na Barra da Tijuca. Após a morte de Henry, ela relatou à polícia uma família tranquila e feliz. Já após a prisão do casal, Thayná apresentou indícios de que Henry teria sido vítima de violência por Jairinho em mais de uma ocasião.

O promotor Fábio Vieira questiona o depoimento à Justiça. “Teve a mentira da babá. O que me deixa evidente que o Jairo ainda exerce influência sobre essas pessoas. Não sei se por medo ou por conta de dinheiro”, afirmou à CNN.

“Ela disse que a Monique sempre quis fazer um inferno na vida do Jairo, que era um cara muito tranquilo. Então quem criou todo o problema foi a Monique. Mas isso está em clara divergência com o que ela escrevia por mensagens. Foi até muito infantil essa versão dela tentando passar a mão na cabeça do Jairo”, acrescentou.

A reportagem entrou em contato com a defesa de Thayná Oliveira Ferreira sobre as mudanças de versão. A advogada Priscila Sena afirmou que a cliente vai sustentar ter presenciado qualquer agressão de Jairinho, mas assumindo uma mudança de postura em relação a Monique.

A defesa também confirmou que a mãe de Thayná ainda trabalha para a família de Jairinho. No entanto, disse que a mulher chegou a pedir demissão após a morte de Henry e que somente continuou porque a criança de quem cuida é muito apegada a ela.

A defesa de Jairinho diz desconhecer que a mãe da babá trabalhou ou ainda trabalha para alguém da família de seu cliente. Ainda assim, afirma não ver nesse vínculo uma possibilidade de influência.

O Ministério Público informou que vai encaminhar a mudança de versão para a polícia, no mesmo inquérito que já investiga falso testemunho da babá.

Próximos passos

O II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro ainda precisa ouvir outras duas testemunhas de acusação e as testemunhas de defesa. As próximas oitivas estão marcadas para os dias 14 e 15 de dezembro.

Entre os possíveis próximos depoentes, tanto da acusação como da defesa, estão a avó materna de Henry, Rosângela Medeiros da Costa e Silva; a irmã de Jairinho, Thalita Fernandes, e o chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski.

Foram ouvidos na primeira audiência:

  • Delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação
  • Delegada Ana Carolina de Caldas, auxiliar da 16ª DP
  • Policial civil Rodrigo Melo, que participou das oitivas e diligências do caso
  • Leniel Borel de Almeida Júnior, pai do menino Henry
  • Ana Carolina Ferreira Netto, ex-mulher de Jairinho
  • Pablo dos Santos Menezes, executivo do Instituto D’Or
  • Thayná de Oliveira Ferreira, babá do menino Henry
  • Maria Cristina de Souza Azevedo, médica do Barra D’or
  • Viviane dos Santos Rosa, médica do Barra D’or
  • Fabiana Barreto Goulart Deleage, médica do Barra D’or

Entenda o caso

Na madrugada do dia 8 de março, Henry Borel morreu no Hospital Barra D’or, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O garoto de quatro anos foi levado até a unidade pela mãe, Monique Medeiros, e o namorado dela, o então vereador Dr. Jairinho. À época, o então casal alegou que a criança foi encontrada desmaiada no quarto em que dormia. De acordo com os médicos da instituição, o garoto chegou ao hospital com parada cardiorrespiratória.

*Sob supervisão de Pauline Almeida

  • CNN

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Redação Juruá Online

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