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Após postagens polêmicas, policial do AC vai parar na Corregedoria e se diz pressionada

Há menos três meses, a PM-AC criou um código de conduta sobre como o policial militar deve se portar nas redes sociais. Além das postagens, a cabo Lígia Messias também responde um inquérito policial por desrespeito a superior hierárquico.

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Com mais de 10,4 mil seguidores no Instagram, a cabo da Polícia Militar do Acre, Lígia Messias foi parar na Corregedoria do órgão após uma série de postagens um tanto polêmicas.

Em vídeos, reels, storys e fotos, ela faz comentários e críticas sobre diversos temas, incluindo política, relacionamentos e comportamento feminino e masculino. Uma das postagens que gerou polêmica foi quando ela chamou os homens acreanos de “babacas” e as mulheres do estado de “carentes”.

Recentemente, o Comando da Polícia Militar do Acre publicou uma portaria com orientações aos militares sobre como se portar nas redes sociais, como Whatsapp, Facebook, Twitter, YouTube, Instagram, Linkedin e Blogs. O documento foi publicado no dia 30 de junho no Diário Oficial do Estado. A medida foi tomada depois que vários policiais viraram verdadeiras celebridades na internet.

Além das postagens polêmicas que foram parar na Corregedoria, a cabo Lígia também responde a um inquérito policial por desrespeito a superior hierárquico. No dia 11 de agosto, ela chegou a ser presa por suposto desacato a superior e foi solta no dia seguinte em audiência de custódia. De acordo com a PM-AC, as últimas postagens feitas pela militar também devem ser apuradas pelo órgão.

“A Cb Lígia já encontra-se respondendo procedimento por outro motivo, que já foi noticiado na mídia acreana. Quanto a essas últimas postagens, elas serão encaminhadas à Corregedoria e, se após verificação prévia, for concluído que há indícios de transgressão disciplinar ou mesmo crime poderão vir a ser instaurados outros procedimentos administrativos”, informou em nota.

‘Bissexual’

Ao G1, a cabo contou que a repercussão em cima de suas postagens começou quando ela falou abertamente sobre ser bissexual. Ela disse que tem se sentido pressionada e acabou fechando a rede social e deletando todas as fotos em que aparecia fardada para evitar ainda mais falatórios.

“Minha vida mudou e a pressão toda começou após eu me assumir bissexual. Sobre a prisão, o que tenho para dizer é que eu não fiz nada demais. Na minha concepção, não cometi desrespeito e nem desobediência. Sobre as postagens, eu tenho uma mente muito aberta e as pessoas se assustam. Com relação à postagem em que eu falei que os acreanos são babacas e as acreanas são carente estou respondendo sindicância na Corregedoria. Nessa postagem, estava de folga, no Instagram, ou seja, liberdade de expressão. Eu estou ciência dessa portaria, já tirei todas as minhas fotos fardada, retirei o nome ‘PM Lígia’ e deixei só ‘Lígia’, justamente para eu poder ter minha liberdade de expressão. Estou sendo muito pressionada a deixar de postar”, afirmou a cabo.

Lígia diz que também foi alvo de críticas após participar de um podcast em que deu sua opinião sobre a maconha. Segundo ela, muitas pessoas entenderam o comentário dela como uma apologia ao uso da droga e ela acredita que também deve responder na Corregedoria sobre essa situação.

Código de conduta

A portaria leva em consideração que o militar deve se portar nas redes sociais com a mesma postura sob a qual se mantém no ambiente de trabalho ou na vida particular. Ou seja, o código de ética da categoria também deve ser respeitado na internet.

Para o comando, ao produzir, criar ou disponibilizar imagens fardado ou com elementos que vinculem à PM nas redes sociais, o policial não está apenas se identificando como pessoa física, e sim representando uma instituição inteira.

Portanto, conforme a portaria, o policial militar deve ser responsabilizado administrativa, civil e penalmente por eventuais consequências do conteúdo que postar ou divulgar na internet.

Entre as regras determinadas pela portaria estão que, ao usar as redes sociais, o policial deve:

  • ter ciência que é responsável pelo conteúdo que criar ou reproduzir;
  • checar a fonte e a veracidade das informações que deseja reproduzir antes de efetivamente reproduzi-las;
  • observar que a moderação, a sobriedade, a discrição, o decoro e a conduta respeitosa e ilibada devem orientar todas as formas de atuação na internet;
  • manter conduta cuidadosa, serena e discreta ao interagir nas mídias sociais, evitando a violação de deveres funcionais e a exposição negativa da Polícia Militar, observada sempre a prudência da linguagem;
  • abster-se de produzir ou reproduzir conteúdo ofensivo, difamatório, calunioso, desrespeitoso ou falso contra civis, militares estaduais, funcionário público, instituições e órgãos públicos, em especial a Corporação;
  • abster-se de divulgar imagens do planejamento, modus operandi e critérios de execução de operações e ações policiais, bem como das rotinas de segurança inerentes ao ambiente militar, por se tratar de informações que, se tornadas públicas, poderão vir a prejudicar a Corporação ou seus membros atualmente ou no futuro;
  • citar na descrição do conteúdo o militar responsável, sempre que utilizar a imagem da Corporação em mídias sociais;
  • proteger a imagem, identidade, dados pessoais e residência dos envolvidos em ocorrência policial, bem como de todos aqueles que não consentirem com a sua divulgação.

A portaria traz ainda que é vedada manifestação, nas redes sociais, de pensamentos, opiniões, convicções ou qualquer outro assunto que venham a ferir a hierarquia e disciplina militar.

Os policiais devem também evitar usar fardamento, armamento, postos e graduações, e quaisquer símbolos que remetam à PM-AC para fins de promoção pessoal e comerciais.

A fiscalização das medidas vai ficar a cargo da 5ª Seção da PM-AC e da Corregedoria Geral. Em caso de descumprimento do que foi disposto na portaria, os militares podem sofrer penalidades.

Por G1

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Redação Juruá Online

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