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Angela Merkel pede intervenção de Vladimir Putin na crise migratória de Belarus

Os migrantes vieram, na maioria, de países do Oriente Médio que ainda enfrentam grave crise humanitária, como a Síria e o Iraque. Eles tentam entrar a pé na União Europeia.

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Angela Merkel, a líder da Alemanha, pediu ao presidente Vladimir Putin, da Rússia, mais ação contra a “instrumentalização dos migrantes por parte do governo de Belarus”. Os dois tiveram uma conversa por telefone, de acordo com o porta-voz da chefe de governo da Alemanha, Steffen Seibert.

A chanceler disse que considera inaceitável a instrumentalização dos migrantes na fronteira entre Polônia e Belarus, onde milhares deles estão bloqueados.

Milhares de migrantes que tentam entrar na Polônia estão bloqueados na fronteira com Belarus em um clima de frio intenso.

Os dois países mobilizam tropas na fronteira, o que provoca o temor de uma escalada.

Policiais e militares poloneses fazem barreira na fronteira da Polônia com Belarus nesta segunda (8) para evitar entrada de migrantes do Oriente Médio — Foto: Leonid Shcheglov/BelTA via AP

Policiais e militares poloneses fazem barreira na fronteira da Polônia com Belarus nesta segunda (8) para evitar entrada de migrantes do Oriente Médio — Foto: Leonid Shcheglov/BelTA via AP

Durante meses, os europeus acusaram o governo da Belarus de expedir deliberadamente vistos de trânsito para estas pessoas, principalmente do Oriente Médio, para desestabilizar a União Europeia.

Quantos são os migrantes e de onde eles vêm?

Não há um número exato de migrantes tentando entrar na Polônia. O governo polonês estima entre 3 mil e 4 mil pessoas na fronteira com Belarus, mas esse total pode aumentar porque há cerca de 10 mil estrangeiros em território bielorrusso que ainda devem tentar cruzar a fronteira.

Migrantes do Oriente Médio, incluindo crianças, permanecem nesta segunda (8) em Belarus enquanto tentam entrar na Polônia pela fronteira — Foto: Leonid Shcheglov/BelTA via AP

Migrantes do Oriente Médio, incluindo crianças, permanecem nesta segunda (8) em Belarus enquanto tentam entrar na Polônia pela fronteira — Foto: Leonid Shcheglov/BelTA via AP

Esses migrantes vieram, na maioria, de países do Oriente Médio que ainda enfrentam grave crise humanitária, como a Síria e o Iraque. Eles tentam entrar a pé na União Europeia, que adota uma política de distribuição dos solicitantes de refúgio entre os países integrantes — política até hoje contestada entre os governos; alguns consideram que recebem imigrantes demais.

Para chegar à União Europeia, o grupo precisa passar por países do Leste Europeu que não integram o bloco. É o caso de Belarus, que faz fronteira com a Polônia, a Letônia e a Lituânia, todos estados-membro da UE.

Embora a crise migratória já tenha se estendido para Letônia e Lituânia, a maioria dos migrantes tenta passar para o território polonês porque é lá que eles conseguiriam ser enviados com mais facilidade a outros países do bloco, especialmente a Alemanha.

Qual a situação na fronteira entre Belarus e Polônia?

Bastante tensa. Nesta segunda-feira (8), o governo polonês anunciou o fechamento dos postos fronteiriços a partir do dia seguinte. Além disso, a Polônia colocou 12 mil policiais e militares na fronteira para barrar a entrada dos migrantes.

Mesmo separados fisicamente entre os dois países — há uma cerca em grande parte da fronteira — houve confronto entre os migrantes e as forças de segurança polonesas. Um grupo tentou abrir a passagem cortando a barreira ou mesmo empurrando com toras de madeiras. Policiais revidaram com gás de pimenta, o que ainda abre um problema jurídico porque os migrantes não estão em território polonês.

Helicóptero militar da Polônia vigia grupo de migrantes que tenta entrar no país por meio da fronteira com Belarus nesta segunda (8) — Foto: Leonid Shcheglov/BelTA via AP

Helicóptero militar da Polônia vigia grupo de migrantes que tenta entrar no país por meio da fronteira com Belarus nesta segunda (8) — Foto: Leonid Shcheglov/BelTA via AP

Preocupa também a situação humanitária dos migrantes, uma vez que muitas crianças integram a caravana. Além da fome e dos abusos a que estão sujeitos, faz muito frio na região nesta época do ano, com temperaturas abaixo de zero.

Em estado de emergência, a Polônia impediu a entrada de jornalistas e de agências independente que costumam fazer o auxílio a refugiados e migrantes. Com isso, não maiores dados precisos sobre a situação na fronteira com Belarus.

Por que o governo de Belarus é acusado de instrumentalizar a crise?

Porque o governo bielorrusso não impediu que a caravana de migrantes cruzasse o país rumo à Polônia, e as autoridades polonesas acusam o regime de Alexander Lukashenko de usar os solicitantes de refúgio como arma política para que a União Europeia retire as sanções contra Belarus.

Essas sanções foram impostas depois que o regime de Lukashenko se tornou ainda mais repressivo, com a vitória em eleições cercadas de acusações de fraude e repressão a dissidentes.

O estopim para que a União Europeia tomasse medidas mais duras foi a ordem do governo de Belarus em desviar para a capital bielorrussa um voo que seguia da Grécia à Lituânia — ambas integrantes da UE — para que um opositor fosse preso.

Mesmo bastante dividida do restante da União Europeia em diversos temas, a Polônia apoiou as sanções — até porque há uma grande comunidade bielorrussa que procurou refúgio ou asilo em solo polonês para escapar da repressão de Lukashenko.

Assim, a Polônia acusa Belarus de usar até militares para apoiar os migrantes do Oriente Médio que seguem rumo à fronteira. Em nota, as forças de segurança polonesas disseram que o regime bielorrusso tenta com essa pressão migratória fazer um ataque “coordenado e híbrido” contra o país.

Como a Polônia responde ao fluxo migratório?

A Polônia é bastante refratária à entrada de migrantes, especialmente do Oriente Médio, e costuma se opor às medidas da União Europeia para facilitar os pedidos de refúgio entre os países integrantes. Até por isso, o governo polonês mantém as fronteiras com os países que não fazem parte da UE altamente vigiadas.

Assim, mesmo diante de uma horda de milhares de imigrantes, alguns passando fome e frio, a Polônia colocou a polícia para barrar a entrada e não pretende acolher estrangeiros dessa caravana. O primeiro-ministro Mateusz Morawiecki manteve o posicionamento:

“A fronteira do Estado Polonês não é só uma linha no mapa: é algo sagrado construído pelo sangue de gerações de poloneses”, escreveu no Facebook.

Por que a crise pode desestabilizar a União Europeia?

Porque a Polônia já vem em crise com o bloco há anos por diversos motivos, e novas exigências dos outros países integrantes sobre aceitar os solicitantes de refúgio poderiam colocar sob ainda mais tensão as relações do governo com a União Europeia.

No mês passado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ameaçou impor sanções sobre a Polônia porque o Tribunal Constitucional alinhado com o governo conservador nacionalista polonês rejeitou a primazia das regras do bloco europeu sobre a legislação nacional.

Agora, com a crise migratória, a União Europeia disse esperar que a Polônia aceita ajuda da agência do bloco destinada à migração: a Frontex. Isso colocaria o país em consonância com outros integrantes do bloco mais abertos em receber solicitantes de refúgio e outros migrantes.

O problema é que a Polônia sob o governo conservador e nacionalista do partido PiS se recusa a participar do programa e rejeita a distribuição dos migrantes entre os países da UE — o que levaria os poloneses a aumentarem o número de migrantes no país.

A própria União Europeia reconhece que o momento é delicado. Adalbert Jahnz, porta-voz da Comissão Europeia, acusa Belarus de tentar desestabilizar o bloco.

“É a continuidade desesperada do regime Lukashenko em usar as pessoas como peças para desestabilizar a União Europeia e, claro, os nossos valores”, disse Jahnz.

Por G1

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Redação Juruá Online

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